Para um mundo plural e diversificado, completamente carregado de ilusões e emoções, devemos estar abertos e atentos para que possamos estar engajados neste movimento e processo de mudanças que ocorrem neste final de século.
O mundo mudou, a natureza continua sofrendo os desmandos do homem e o homem tenta buscar explicação para o seu próprio ser, para sua vida, para a existência da vida e para a continuação da vida.
É neste contexto que entra o Ensino Religioso, que deva trazer ou pelo menos apontar um caminho para o transcendente, uma forma de vida adequada para todos os habitantes deste extenso planeta.
Claro que com a diversidade religiosa, e não é somente com esta parte que devemos nos preocupar, não é muito fácil explicar a própria existência do homem, muito menos a existência do transcendente, mas simplesmente se ter uma forma, uma luz que traga algo de reconfortante para o ser humano em sua concepção religiosa.
O ensino religioso deverá ser esta luz, este caminho de iluminação, fazendo com que o educando tente entender-se como ser humano junto aos demais seres humanos, não apenas no aspecto religioso, não apenas na concepção religiosa, não apenas na dimensão religiosa, mas também aspectos, concepções e dimensões políticas, social, econômica, cultural, etc.
O homem não pode ser completo apenas no sentido religioso, pois possui muitas outras dimensões, sem falar concepções, ideologias, necessárias para a explicação de si mesmo.
O ensino religioso deverá ser capaz de abordar os mais diversos aspectos do ser humano para que o mesmo possa ser completo e se realizar como homem/mulher.
Para que o ensino religioso seja capaz de realizar o ser humano, ele precisa estar dentro da estrutura e conjuntura sócio, político, econômico, cultural e religioso da sociedade atual, mostrando caminhos para libertar o homem das amarras que o prendem e o fazem opressor e oprimido. Deve estar preocupado com a libertação integral de cada ser humano dentro de sua concepção. Deve estar aberto e fazer abrir consciências que sejam críticas e que apontem saídas para os desafios propostos, para que não haja líder, nem subordinado, para que todos trilhem um mesmo caminho se reconhecendo como iguais, livres e completos, na busca do mesmo ser transcendente.
O ensino religioso tem que buscar alternativas para que se construa uma nova sociedade, onde o ser humano tenha valor e que se possa dar valor, onde se busque a igualdade entre todos, que todos possam se entender dentro das mais diversas concepções religiosas, nas mais diversas concepções do transcendente.
Que se dê valor ao que o educando traz consigo e que se faça desenvolver o espírito de solidariedade, de complementaridade; sem que se viole as características individuais de cada indivíduo, mas que se faça o intercâmbio religioso na sociedade plural religiosa.
Todos nós somos capazes de se desenvolver o espírito de sociabilidade, de responsabilidade, e que se busque com isto o aprofundamento do ser humano enquanto ser humano e que os homens possam viver em paz no mundo da diversidade.
O Ensino Religioso tem o dever de fazer com que o aluno tenha de volta sua espiritualidade de criança, de adolescente, que vem sendo perdida através de um mundo consumista que dá valores a outras coisas, que reifica o homem e humaniza as coisas.
O Ensino Religioso deve ter em seu conteúdo temas da atualidade e que promovam a liberdade do ser humano, tais como: vida e adolescência; família; ética, amizade, relacionamento, valores, liberdade; responsabilidade; espiritualidade, religiosidade e busca profunda do transcendente; problemais sociais, econômicos, políticos, culturais, etc.; drogas e sexualidade; poder de decisão, projeto de vida; participação do jovem na construção da história; educação e preservação ambiental; trabalho e lazer.
O Ensino Religioso deve fazer com que o educando e educador se encontrem na busca profunda do transcendente, pois desta forma ambos se completam, se entendem e se transformam, mudando a própria sociedade sem que haja injustiça com os homens.
A busca profunda do transcendente faz com que todos nos sintamos capazes de nos desenvolver em igualdade, capazes de encontrar o Reino Definitivo, o reino de paz, amor, solidariedade, etc.
SALVE!!!! SALVE!!!! Alegria e felicidade sempre... Sejam todas e todos bem vindos. Esta é a página para quem tem prazer em ler artigos sobre Educação, História, Filosofia, Ciências da Religião, Sociologia, Ética, Política, Antropologia, Meio Ambiente, Geografia Humana, etc. Leia, comente e divulgue entre seus contatos. Paz e luz. Abraços Serranos...
AMIGOS DO PROFESSOR ZÉ WILSON
sexta-feira, 19 de junho de 2009
EDUCAÇÃO OPRESSORA
A educação proposta pelo atual sistema de ensino apenas divulga as idéias da elite, da burguesia.
É uma educação alienante e opressora. Os professores, na sua grande maioria, apenas repassam o conteúdo sem ter consciência de que, com seu trabalho podem transformar uma realidade.
A educação opressora se dá de diversos modos, não se valorizando as condições sociais, econômicas e culturais da cada aluno. não se alterna a forma de trabalho do professor, tudo é repetitivo ( materiais didáticos, palavras, gestos, etc. ).
Pensa-se que a escola é algo isolado do mundo, onde se condicionam os mais diversos tipos de pessoas as suas normas, que são ditadas pôr uma minoria, com punições para quem não se condiciona as tais.
Tudo aquilo que sai de dentro da criança, que é próprio de si, é repreendido; não podem criar, apenas aceitar o que uma minoria passa e que apenas repercute o tradicional, o conservador, o arcaico.
As que entram no atual sistema de ensino têm que passar por tudo isso, para serem “alguma coisa na vida”. Pior para aqueles que não tem acesso a nenhum tipo de sistema educacional, os marginalizados, os excluídos, de um sistema corrupto e frágil, que com organizações fortes seria facilmente destruído.
Deveríamos nos preocupar menos com sistemas educacionais e mais com educação propriamente dita; educação libertária, que tirasse o sujeito da caverna e o pusesse realmente à frente da luz, a luz do conhecimento.
Deveríamos trabalhar o aluno e seu conhecimento, sua criatividade, como alternativa de uma sociedade diferente, livre de toda opressão, sem diferenciações econômicas, sociais e culturais, mas respeitando as particularidades individuais de cada sujeito dentro da sociedade.
Que cada aula dada fosse diferente, que chamasse a atenção do alunado e do professor; que não se repetisse os hábitos normais, que a cada segundo fosse uma nova surpresa.
Todos devem participar ativamente da vida escolar: comunidade, pais, poder público constituído, etc.; e a escola deve estar e fazer parte da vida da comunidade. não pode ser algo separado, “outro mundo”.
As normas, regras de funcionamento, devem ser formuladas com a presença de todos ( tanto da comunidade escolar como da não escolar ).
Valorizando o lúdico da criança, o conhecimento popular, a fantasia, a imaginação, teremos um sujeito crítico construtivo, possibilitando dessa forma construir uma sociedade justa e fraterna; uma sociedade de iguais, cada um com seu modo de vida, onde não haja excluídos nem oprimidos, onde todos possamos participar, cada um com sua capacidade.
Tudo isso só será capaz quando não mais existir um controle social na educação e sim, uma educação completa, humanizada, transformadora; uma educação libertária.
É uma educação alienante e opressora. Os professores, na sua grande maioria, apenas repassam o conteúdo sem ter consciência de que, com seu trabalho podem transformar uma realidade.
A educação opressora se dá de diversos modos, não se valorizando as condições sociais, econômicas e culturais da cada aluno. não se alterna a forma de trabalho do professor, tudo é repetitivo ( materiais didáticos, palavras, gestos, etc. ).
Pensa-se que a escola é algo isolado do mundo, onde se condicionam os mais diversos tipos de pessoas as suas normas, que são ditadas pôr uma minoria, com punições para quem não se condiciona as tais.
Tudo aquilo que sai de dentro da criança, que é próprio de si, é repreendido; não podem criar, apenas aceitar o que uma minoria passa e que apenas repercute o tradicional, o conservador, o arcaico.
As que entram no atual sistema de ensino têm que passar por tudo isso, para serem “alguma coisa na vida”. Pior para aqueles que não tem acesso a nenhum tipo de sistema educacional, os marginalizados, os excluídos, de um sistema corrupto e frágil, que com organizações fortes seria facilmente destruído.
Deveríamos nos preocupar menos com sistemas educacionais e mais com educação propriamente dita; educação libertária, que tirasse o sujeito da caverna e o pusesse realmente à frente da luz, a luz do conhecimento.
Deveríamos trabalhar o aluno e seu conhecimento, sua criatividade, como alternativa de uma sociedade diferente, livre de toda opressão, sem diferenciações econômicas, sociais e culturais, mas respeitando as particularidades individuais de cada sujeito dentro da sociedade.
Que cada aula dada fosse diferente, que chamasse a atenção do alunado e do professor; que não se repetisse os hábitos normais, que a cada segundo fosse uma nova surpresa.
Todos devem participar ativamente da vida escolar: comunidade, pais, poder público constituído, etc.; e a escola deve estar e fazer parte da vida da comunidade. não pode ser algo separado, “outro mundo”.
As normas, regras de funcionamento, devem ser formuladas com a presença de todos ( tanto da comunidade escolar como da não escolar ).
Valorizando o lúdico da criança, o conhecimento popular, a fantasia, a imaginação, teremos um sujeito crítico construtivo, possibilitando dessa forma construir uma sociedade justa e fraterna; uma sociedade de iguais, cada um com seu modo de vida, onde não haja excluídos nem oprimidos, onde todos possamos participar, cada um com sua capacidade.
Tudo isso só será capaz quando não mais existir um controle social na educação e sim, uma educação completa, humanizada, transformadora; uma educação libertária.
CLUBE DA ÁRVORE VERDE ESPERANÇA
Trabalhos sobre o pau-brasil apresentados pelos alunos da 5ª série da EEb. Manoel Pereira de Medeiros, de Urupema, no ano 2000.
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Pau-brasil. Quem podia imaginar, uma árvore dar nome a um país. Há 500 anos tudo que se plantava dava, hoje não podemos dizer o mesmo. A minoria do que a gente planta dá.
Estou escrevendo esta história para dizer que é melhor preservar o pau-brasil do que desmatar, pois hoje existem muito poucos na terra chamada Brasil.
O pau-brasil é muito resistente a umidade, por isso era usado na construção de navios, em obras que funcionavam com a força da água e na fabricação de caixas de violino.
O pau-brasil encontrava-se em toda a Mata Atlântica, estendendo-se do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro.
A exploração da madeira era feita de forma errada, pois só retiravam as árvores e não plantavam outras. Isso fez com que acabassem com o pau-brasil.
Os índios ajudavam na derrubada das árvores e no transporte de madeira até os navios, em troca recebiam bugigangas (objetos sem muito valor), ferramentas como facas e machados.
Na época colonial retirava-se dessa madeira uma substância corante, vermelha, que servia para a fabricação de tintas. Era um produto de grande valor comercial, pois ainda não faziam tintas em laboratório.
O pau-brasil é uma árvore de crescimento lento, revestida por uma casca grossa e cheia de espinhos.
As flores desta árvore são belíssimas, de cor amarela e vermelhas.
Imaginemos nossas matas, cobertas por essas lindas árvores...
Lutemos para que isso se torne realidade.
Mariana Pagani Vieira Paes
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Uma das únicas riquezas existentes no Brasil foi o Pau-brasil, pela qual os portugueses se interessaram muito.
Havia grande quantidade dessa madeira nas matas do litoral do brasileiro. Na Europa essa madeira poderia ser vendida por um alto valor, porque depois de cozida ela soltava uma tinta vermelha que servia para tingir tecido.
O Pau-brasil foi a primeira riqueza explorada no Brasil, praticamente só ela, rendeu lucros altíssimos para os portugueses e os franceses.
Para os reis, o Pau-brasil, que os índios conheciam como Ibirapitanga, dava bons lucros, pois escravizavam os índios que não entendiam nada sobre negócios, dando bugigangas, espelhos, pentes, chapéus, etc.. E em troca conseguiam o Pau-brasil cortado e pronto para viajar para a Europa.
Hoje você tem que procurar muito para encontrar o Pau-brasil. Você só irá encontrar em algumas reservas da Mata Atlântica, em Museus de História Natural ou Hortas Florestais.
Luan Carlos Souza Muniz
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Há muitos anos passados tínhamos uma grande riqueza espalha por campos, montanhas e vargens. Pena que essa fortuna foi levada por quem não era dono, estrangeiros gananciosos, interesseiros, que só pensavam em seus próprios interesses.
Com certeza, se o Pau-brasil tivesse sido preservado, hoje a nossa história seria outra. Quem sabe o Brasil não tivesse tantas dívidas?
Se essa madeira tivesse sido usada em nosso benefício e de forma consciente, sem devastar as florestas e sem extinguir a madeira, o Brasil poderia ser um país rico, já que dispomos de grandes riquezas.
Temos a infelicidade de continuar sendo explorados por multinacionais. Precisamos acordar e lutar por nossos direitos para evitar que amanhã sejamos dos países ricos e dominados por completo.
Ana Carla Medeiros
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
O Pau-brasil é uma árvore muito antiga. Antes dos portugueses aqui chegarem haviam milhares dessas árvores.
Quando os portugueses chegaram no Brasil viram que era um grande negócio e começaram a cortar e a vender para o exterior. O Pau-brasil serve para fabricar móveis e também cozinhando ela possui uma tinta vermelha que servia para tingir tecidos. Assim eles ficaram muito ricos, mas com o tempo teve pessoas que impediram as vendas da madeira Pau-brasil.
Como tinha muito Pau-brasil, eles deram para o nosso país o nome de Brasil.
Graças a algumas pessoas, estão replantando a árvore Pau-brasil, pois já estava quase extinta. Pois agora devemos cuidar do Pau-brasil para que todo brasileiro conheça e não venha a acontecer o que houve com os nossos antepassados.
Joana Márcia Amarante de Souza
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
O Pau-brasil foi comercializado sob controle dos reis, quando já era uma madeira praticamente extinta. Com o Brasil "independente" de Portugal o corte e a venda da madeira eram feitos com o objetivo de pagar parte da dívida externa.
Temos muito que preservar o Pau-brasil, porque caso contrário iremos ficar sem essa madeira.
O Pau-brasil é uma madeira muito importante e por isso os portugueses pegaram daqui do Brasil para levar para Portugal e vendiam para os comerciantes. Ganhavam muito dinheiro, assim Portugal ficava cada vez mais rico e o Brasil ficava mais pobre.
O Brasil perto de Portugal era muito pobre. Os portugueses roubaram o Brasil.
Vamos preservar o pau-brasil.
Mariani Arruda da Silva
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Uma das únicas riquezas existentes no Brasil pela qual os portugueses se interessaram desde o começo foi o Pau-brasil, uma árvore que os índios conheciam pelo nome de Ibirapitanga. Havia grande quantidade dessa madeira nas matas do litoral.
Na Europa tal madeira poderia ser vendida por bom preço, pois quando cozida, ela soltava uma tinta vermelha, que por sua vez poderia ser utilizada na tintura de tecidos.
O pau-brasil, como vemos era uma matéria-prima e a tinta extraída dessa madeira era um produto importante para as manufaturas européias.
Desde o início os reis portugueses monopolizaram a extração do pau-brasil. Porém, alguns comerciantes foram autorizados pelos governantes a retirar a madeira na colônia brasileira. Em geral essa autorização era dada, desde que esses comerciantes pagassem pelo direito de exploração.
Fernando de Noronha, rico comerciante, foi um dos primeiros a buscar pau-brasil em nossa terra. Outros mercadores, principalmente judeus, também se beneficiaram do monopólio real, antes de 1530.
Para os reis, o pau-brasil dava bons lucros, pois nada precisavam gastar para extraí-lo, ganhando assim dinheiro com o arrendamento. Os comerciantes além de pagarem pelo direito de exploração, deviam gastar com os barcos, com a tripulação e com mantimentos para a longa viagem de Portugal ao Brasil. Se os comerciantes tinham tantos gastos, porque mesmo assim eles vieram extrair o pau-brasil?
A resposta está na forma como conseguiam a madeira em nossa terra. É verdade que os comerciantes gastavam, mas também tinham grandes lucros porque conseguiam o pau-brasil praticamente de graça.
Sabendo que os índios desconheciam o valor do dinheiro e da mercadoria pau-brasil, ofereciam-lhes espelhos, chapéus, outros objetos sem nenhum valor, e em troca conseguiam a madeira já cortada e pronta para ser levada para a Europa. Os índios até mesmo carregavam as toras de pau-brasil para dentro dos barcos.
Não gastando quase nada com aquisição da madeira, mesmo tendo gastos com a viagem e pagando para os reis, tinham muito lucro, pois vendiam caro o pau-brasil na Europa.
O pau-brasil era abundante em todo litoral do nosso país. Hoje é uma árvore em extinção.
Maicon Godinho
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Pau-Brasil, a madeira que deu origem ao nome do nosso país, Brasil, um nome bom de se dizer.
O pau-brasil foi uma das primeiras riquezas que tínhamos aqui em nosso país. Hoje em dia a madeira pau-brasil está em extinção como outras madeiras, graças ao homem que fez isso ser assim.
A opção deles era ficar ricos, mas não foi possível, pois eles levaram nossas riquezas para outros países, outros lugares.
O pau-brasil é a raiz do nome do nosso país. É a árvore mais famosa das árvores. Que pena que está em extinção. É como se diz, a fama pode levar o país a morte. Por que isso? Por que depois da árvore estar em extinção é que o homem foi ver que estava fazendo uma coisa errada?
Mas isso não ocorre somente com árvores. Com animais também ocorre.
O pau-brasil é a árvore que tem e dá as raízes da nossa história.
Ezequiel Barbosa da Silva
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Pau-brasil. Quem podia imaginar, uma árvore dar nome a um país. Há 500 anos tudo que se plantava dava, hoje não podemos dizer o mesmo. A minoria do que a gente planta dá.
Estou escrevendo esta história para dizer que é melhor preservar o pau-brasil do que desmatar, pois hoje existem muito poucos na terra chamada Brasil.
O pau-brasil é muito resistente a umidade, por isso era usado na construção de navios, em obras que funcionavam com a força da água e na fabricação de caixas de violino.
O pau-brasil encontrava-se em toda a Mata Atlântica, estendendo-se do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro.
A exploração da madeira era feita de forma errada, pois só retiravam as árvores e não plantavam outras. Isso fez com que acabassem com o pau-brasil.
Os índios ajudavam na derrubada das árvores e no transporte de madeira até os navios, em troca recebiam bugigangas (objetos sem muito valor), ferramentas como facas e machados.
Na época colonial retirava-se dessa madeira uma substância corante, vermelha, que servia para a fabricação de tintas. Era um produto de grande valor comercial, pois ainda não faziam tintas em laboratório.
O pau-brasil é uma árvore de crescimento lento, revestida por uma casca grossa e cheia de espinhos.
As flores desta árvore são belíssimas, de cor amarela e vermelhas.
Imaginemos nossas matas, cobertas por essas lindas árvores...
Lutemos para que isso se torne realidade.
Mariana Pagani Vieira Paes
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Uma das únicas riquezas existentes no Brasil foi o Pau-brasil, pela qual os portugueses se interessaram muito.
Havia grande quantidade dessa madeira nas matas do litoral do brasileiro. Na Europa essa madeira poderia ser vendida por um alto valor, porque depois de cozida ela soltava uma tinta vermelha que servia para tingir tecido.
O Pau-brasil foi a primeira riqueza explorada no Brasil, praticamente só ela, rendeu lucros altíssimos para os portugueses e os franceses.
Para os reis, o Pau-brasil, que os índios conheciam como Ibirapitanga, dava bons lucros, pois escravizavam os índios que não entendiam nada sobre negócios, dando bugigangas, espelhos, pentes, chapéus, etc.. E em troca conseguiam o Pau-brasil cortado e pronto para viajar para a Europa.
Hoje você tem que procurar muito para encontrar o Pau-brasil. Você só irá encontrar em algumas reservas da Mata Atlântica, em Museus de História Natural ou Hortas Florestais.
Luan Carlos Souza Muniz
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Há muitos anos passados tínhamos uma grande riqueza espalha por campos, montanhas e vargens. Pena que essa fortuna foi levada por quem não era dono, estrangeiros gananciosos, interesseiros, que só pensavam em seus próprios interesses.
Com certeza, se o Pau-brasil tivesse sido preservado, hoje a nossa história seria outra. Quem sabe o Brasil não tivesse tantas dívidas?
Se essa madeira tivesse sido usada em nosso benefício e de forma consciente, sem devastar as florestas e sem extinguir a madeira, o Brasil poderia ser um país rico, já que dispomos de grandes riquezas.
Temos a infelicidade de continuar sendo explorados por multinacionais. Precisamos acordar e lutar por nossos direitos para evitar que amanhã sejamos dos países ricos e dominados por completo.
Ana Carla Medeiros
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
O Pau-brasil é uma árvore muito antiga. Antes dos portugueses aqui chegarem haviam milhares dessas árvores.
Quando os portugueses chegaram no Brasil viram que era um grande negócio e começaram a cortar e a vender para o exterior. O Pau-brasil serve para fabricar móveis e também cozinhando ela possui uma tinta vermelha que servia para tingir tecidos. Assim eles ficaram muito ricos, mas com o tempo teve pessoas que impediram as vendas da madeira Pau-brasil.
Como tinha muito Pau-brasil, eles deram para o nosso país o nome de Brasil.
Graças a algumas pessoas, estão replantando a árvore Pau-brasil, pois já estava quase extinta. Pois agora devemos cuidar do Pau-brasil para que todo brasileiro conheça e não venha a acontecer o que houve com os nossos antepassados.
Joana Márcia Amarante de Souza
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
O Pau-brasil foi comercializado sob controle dos reis, quando já era uma madeira praticamente extinta. Com o Brasil "independente" de Portugal o corte e a venda da madeira eram feitos com o objetivo de pagar parte da dívida externa.
Temos muito que preservar o Pau-brasil, porque caso contrário iremos ficar sem essa madeira.
O Pau-brasil é uma madeira muito importante e por isso os portugueses pegaram daqui do Brasil para levar para Portugal e vendiam para os comerciantes. Ganhavam muito dinheiro, assim Portugal ficava cada vez mais rico e o Brasil ficava mais pobre.
O Brasil perto de Portugal era muito pobre. Os portugueses roubaram o Brasil.
Vamos preservar o pau-brasil.
Mariani Arruda da Silva
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Uma das únicas riquezas existentes no Brasil pela qual os portugueses se interessaram desde o começo foi o Pau-brasil, uma árvore que os índios conheciam pelo nome de Ibirapitanga. Havia grande quantidade dessa madeira nas matas do litoral.
Na Europa tal madeira poderia ser vendida por bom preço, pois quando cozida, ela soltava uma tinta vermelha, que por sua vez poderia ser utilizada na tintura de tecidos.
O pau-brasil, como vemos era uma matéria-prima e a tinta extraída dessa madeira era um produto importante para as manufaturas européias.
Desde o início os reis portugueses monopolizaram a extração do pau-brasil. Porém, alguns comerciantes foram autorizados pelos governantes a retirar a madeira na colônia brasileira. Em geral essa autorização era dada, desde que esses comerciantes pagassem pelo direito de exploração.
Fernando de Noronha, rico comerciante, foi um dos primeiros a buscar pau-brasil em nossa terra. Outros mercadores, principalmente judeus, também se beneficiaram do monopólio real, antes de 1530.
Para os reis, o pau-brasil dava bons lucros, pois nada precisavam gastar para extraí-lo, ganhando assim dinheiro com o arrendamento. Os comerciantes além de pagarem pelo direito de exploração, deviam gastar com os barcos, com a tripulação e com mantimentos para a longa viagem de Portugal ao Brasil. Se os comerciantes tinham tantos gastos, porque mesmo assim eles vieram extrair o pau-brasil?
A resposta está na forma como conseguiam a madeira em nossa terra. É verdade que os comerciantes gastavam, mas também tinham grandes lucros porque conseguiam o pau-brasil praticamente de graça.
Sabendo que os índios desconheciam o valor do dinheiro e da mercadoria pau-brasil, ofereciam-lhes espelhos, chapéus, outros objetos sem nenhum valor, e em troca conseguiam a madeira já cortada e pronta para ser levada para a Europa. Os índios até mesmo carregavam as toras de pau-brasil para dentro dos barcos.
Não gastando quase nada com aquisição da madeira, mesmo tendo gastos com a viagem e pagando para os reis, tinham muito lucro, pois vendiam caro o pau-brasil na Europa.
O pau-brasil era abundante em todo litoral do nosso país. Hoje é uma árvore em extinção.
Maicon Godinho
PAU-BRASIL - VAMOS PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
Pau-Brasil, a madeira que deu origem ao nome do nosso país, Brasil, um nome bom de se dizer.
O pau-brasil foi uma das primeiras riquezas que tínhamos aqui em nosso país. Hoje em dia a madeira pau-brasil está em extinção como outras madeiras, graças ao homem que fez isso ser assim.
A opção deles era ficar ricos, mas não foi possível, pois eles levaram nossas riquezas para outros países, outros lugares.
O pau-brasil é a raiz do nome do nosso país. É a árvore mais famosa das árvores. Que pena que está em extinção. É como se diz, a fama pode levar o país a morte. Por que isso? Por que depois da árvore estar em extinção é que o homem foi ver que estava fazendo uma coisa errada?
Mas isso não ocorre somente com árvores. Com animais também ocorre.
O pau-brasil é a árvore que tem e dá as raízes da nossa história.
Ezequiel Barbosa da Silva
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Perspectiva religiosa no Corpo de Bombeiros.
TEMA
Perspectiva religiosa no Corpo de Bombeiros.
JUSTIFICATIVA
- Entendimento do pluralismo religioso dentro das mais diversas esferas da sociedade, a partir de um grupo determinado;
- Aprofundamento da concepção religiosa do grupo pesquisado, tendo em vista o trabalho realizado na comunidade;
- Conhecer a dimensão de religiosidade, de limitação de sentido da vida, de realização pessoal e coletivo
- Que contribuições o grupo pode dar a sociedade no aspecto religioso.
PROBLEMA CENTRAL
Como se manifesta o fenômeno religioso no corpo de bombeiros em Curitibanos no ano de 1998.
OBJETIVOS
- Compreender o sentimento religioso que envolve um grupo de profissionais que trabalham com a vida e com a morte;
- Entender como se dá a manifestação religiosa no referido grupo diante das tragédias vivenciadas.
APRESENTAÇÃO
O ser humano por natureza busca superar-se, buscar sentido para sua vida; então, procura de várias maneiras esta superação que ocorre através de sua manifestação religiosa. Buscar a religiosidade é uma característica do ser humano em qualquer época, mas que se manifesta de maneira diversa, independente da situação social.
METODOLOGIA
Depois de fazer leitura sobre o assunto vamos realizar uma pesquisa de campo com os bombeiros, através de um questionário em anexo.
QUESTIONÁRIO
1 - Nome, idade e grau de instrução.
2 - O que o levou a escolher esta profissão?
2.1 - Quantas horas trabalha por dia?
2.2 - O que faz nas horas de folga?
3 - Como se dá o envolvimento religioso em sua comunidade de fé, tendo em vista o trabalho que realiza?
4 - O que é mais importante na sua vida, o que dá mais sentido, mais realização profissional?
5 - O que é a morte para você? O que acha que acontece após a morte?
6 - Você já sentiu que a sua presença salvou a vida de alguém? E quando não conseguiu, o que sentiu?
7 - O que você acha das vários situações que presenciou realizando seu trabalho?
8 - O que mais te impressiona ao imaginar a virada do milênio?
9 - Falando de futuro, qual o teu sonho, o que espera realizar?
1 INTRODUÇÃO
Como se dá o fenômeno religioso, como transcende a vida irradiada e imanada num grupo que trabalha defendendo a vida nas mais diversas instâncias da sociedade. Como se observa a religiosidade e a espiritualidade, no atendimento aos seres humanos que precisam do trabalho do corpo de bombeiros; o que é mais importante nesta hora: pensar em Deus?, manter o sangue frio?, deixar levar-se pelas emoções? Como se desenvolve o conhecimento religioso que lhe possibilite interferir no meio em que vive e em si próprio.
2 O CORPO DE BOMBEIROS
Desde o seu surgimento, o ser humano tem demonstrado tendências fortes à busca de explicações para os fenômenos ocorridos na natureza, criando assim uma ligação com um ser sobrenatural de onde procura extrair todas as respostas para suas inquietações e interrogações, surgindo assim o fenômeno religioso, este, que por sua vez se manifesta das mais diversas formas, nos mais diversos lugares e povos, conforme as crenças e culturas destes.
Com o surgimento de novas formas de vida ou novos modos de viver, o próprio aprimoramento da sociedade, o evoluir próprio do ser humano e das próprias ciências, o fenômeno religioso foi tendo diferentes interpretações.
O processo de evolução cultural fez com que o homem mudasse seu próprio comportamento religioso, frente a diversidade religiosa e com isso teve uma estruturação de vida frente ao transcendente de forma muito diferenciada do ser humano primitivo, que adorava coisas da natureza, inventava mitos e deuses, ídolos, para explicar a própria estruturação da sociedade em que vivia.
Vivemos num mundo completamente diferente: plural, globalizado e diverso, onde com todas as dificuldades encontradas ainda tentamos explicar alguns fatos como se fossem coisas do além.
O mundo mudou, a natureza continua sofrendo os desmandos do homem, que tenta buscar explicação para seu próprio ser, para sua vida, a existência da vida e para a continuação da vida. É neste contexto que entra o fenômeno religioso.
O homem atual é incapaz de sobreviver sem uma ligação constante com o sobrenatural, imanente ou transcendente, para explicar-se dentro de uma pluralidade social, cultural, econômica, política, religiosa, ...
Todos os grupos existentes dentro da sociedade manifestam direta ou indiretamente o fenômeno religioso.
Dentro de todas essas perspectivas encaixa-se o grupo do corpo de bombeiros do 2º Batalhão de Bombeiro Militar em Curitibanos, com 86 membros, dos quais 17 fizeram parte de uma pesquisa sobre o fenômeno religioso. Os entrevistados com faixa etária entre 25 e 35 anos, com escolaridade entre 1º e 3º graus, fizeram esta opção profissional, alguns por falta de oportunidades no campo de trabalho e outros por sentirem-se chamados a esta vocação, trabalhando 8 horas diárias.
Com suas formas e características próprias têm um modo especial de manifestar o sentimento sobre-humano, o sentimento religioso, que acontece de forma indireta , pois ao colocar sua vida à disposição do bem de uma determinada sociedade, o mesmo se dá de forma transcendental sem esperar recompensas pelo trabalho realizado.
Uma análise interessante sobre o corpo de bombeiros e seu fenômeno religioso é o desprendimento total na ação salvífica realizada pelos mesmos às pessoas, sem que haja interesses econômicos, e sim a gratificação pelo reconhecimento do trabalho prestado.
A motivação maior no desempenho de suas funções é saber que através der seu trabalho, agindo em defesa da vida, mesmo que não sejam atuantes em suas comunidades de fé , existe a presença constante do transcendente emanado em seus gestos e atitudes.
Suas emoções transcendem, o fenômeno religioso se faz presente, o homem adquire uma força especial, muito grande, quando envolve-se no seu cotidiano. As emoções se fazem presentes quando o desespero, a dor, a angústia, o pânico, a morte, a incerteza do que pode vir é presenciada, por ver outros seres humanos dotados dos mesmos sentimentos em situações desesperadoras, aguardando a sua ajuda.
Neste momento é difícil controlar as emoções, mas se faz necessário agir com precisão e muitas vezes com frieza, principalmente quando deparam-se com situações em que estão envolvidas pessoas próximas ou crianças, pois crianças são seres inocentes e ao perderem a vida deixam de realizar projetos que poderiam ser grandiosos para a humanidade.
A morte, algo inexplicável, que foge do controle do ser humano, é preocupante, estranha; não se pode acreditar infinitamente que haja algo além da morte; mas, que se espera que a morte não seja um fim, e sim uma esperança de eternidade. Existe uma misticidade muito grande em relação ao assunto abordado, mesmo existindo diversas concepções.
Quando o grupo pesquisado se vê diante da morte, pensa no porquê das coisas, no valor da vida, na alegria de se poder evitar as coisas ruins e na impotência diante de uma tragédia do inevitável, assim como é inevitável a virada do milênio.
A expectativa da virada do milênio é que grandes mudanças aconteçam no campo econômico, social, político, religioso, mas as mudanças não acontecem radicalmente , é um processo lento, que vem se preparando gradativamente, trazendo com isso a insegurança, o medo, a incerteza. A preocupação com relação a vida e a sobrevivência e novos valores no futuro é muito grande, porém é preciso acreditar que o mundo foi criado por um ser superior ao homem, que continuará tomando conta de tudo que criou, mesmo depois da virada do milênio. O homem jamais vai conseguir superar Deus e a tecnologia nunca vai poder alcançar os poderes de Deus.
Pode pensar-se que a virada do milênio seja um ano a mais no calendário, mas resiste a esperança de que se forme uma sociedade justa, fraterna e igualitária.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O fenômeno religioso dos bombeiros mesmo não acontecendo de maneira explícita, freqüentando a igreja, rezando diariamente, acontece e de maneira especial quando se preocupam com a vida de seres humanos e o bem comum de uma sociedade.
Endendeu-se que o fenômeno religioso emanado dessa maneira é tão importante quanto os outros que participam ativamente em suas comunidades de fé.
ANEXO 1
CORPO DE BOMBEIROS
Não se tem data da fundação da organização. Em 27 a.C. o imperador Augusto formou um grupo de vigilis que patrulhavam as ruas para impedir incêndios e para policiar a cidade. Sabe-se muito pouco sobre a organização na Europa, até o grande incêndio de 1666 em Londres, que consumiu 13.200 construções.
CORPO DE BOMBEIROS NO BRASIL
- corpo de bombeiros provisório da corte, criado em 02 de julho de 1856;
- em 1865 foi fornecida a primeira bomba a vapor à instituição;
- em 1880 ao grupo passou a ter organização militar;
- em 1913 a tração animal das viaturas, adotada em 1870 foi substituída pela mecânica .
Além das atribuições definidas em lei, incumbe também a execução de atividades de defesa civil (vários tipos de incêndio, inspeção em edifícios públicos, socorrerem pessoas em vários tipos de emergências, retirar as pessoas presas nas ferragens após acidente de carro, de trem ou de avião, socorrer vítimas de desabamento, enchentes, etc.
CORPO DE BOMBEIROS EM SANTA CATARINA
- teve sua criação através da promulgação da lei 1137 de 30 de setembro de 1917;
- a lei que criava o corpo de bombeiros foi sancionada em 16 de setembro de 1919;
- deu-se em 02 de outubro a primeira ocorrência atendida pela guarnição da Seção do Corpo de Bombeiros.
Hoje o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar conta com 28 organizações de Bombeiros Militar, distribuídas no Estado e possui um efetivo de 1873 homens para o atendimento da população catarinense.
ANEXO 2
PATRONO DOS BOMBEIROS
O Corpo de Bombeiros é uma instituição milenar internacional, tendo o dia 04 de maio consagrado ao patrono e protetor dos bombeiros do mundo inteiro.
São incontáveis vidas de heróis anônimos ceifadas no afã de salvar o bem maior de seu irmão, que é a vida.
Floriano, Mártir que deu a vida pela fé e em prol do seu semelhante, na ânsia de salvar bens e principalmente vidas, é venerado em todo o mundo particularmente nas regiões da Baviera e da Áustria. Era militar, representado no estilo romano antigo, tendo na mão uma lança e uma bandeira desfraldada. Assim sua imagem é encontrada nas igrejas do estilo barroco e na maioria das casas particulares. Florirão tinha um verdadeiro sentido de proteção contra incêndio, saía de casa em casa, família em família orientando as pessoas do risco que o fogo oferecia a estes. Era um verdadeiro "bombeiro de rua".
Florirão viveu no tempo do imperador Deocleciano, no século III. Sendo um cristão, o cristianismo teve a propagação em vastas colônias romanas. Por não seguirem a ordem do imperador para perseguir os cristãos muitos soldados foram condenados à morte, entre eles Floriano. Foram condenados a serem precipitados no Rio Ens, com uma pedra amarrada no pescoço. O corpo de Floriano foi resgatado do fundo do rio por gente que tinham-no como protetor contra incêndio, e o sepultaram honrosamente onde mais tarde foi construído o Convento Agostiniano que lhe perpetuaram a gloriosa memória.
ANEXO III
SER BOMBEIRO
Não há para nós neste mundo ambição maior do que ser Bombeiro. Essa é uma posição que, para os mais desavisados, poderá parecer modéstia. Nós porém, familiarizados com as tarefas dos Bombeiros, acreditamos ser esta uma nobre vocação. Empehamo-nos em preservar da destruição as riquezas deste mundo.
Mas, acima de tudo, nosso maior orgulho é o esforço para salvar a vida humana, criação do próprio Deus. A nobreza de nossa ocupação nos apaixona, estimulando-nos a atos de coragem e até mesmo ao sacrifício supremo. Estas considerações podem não sensibilizar a alguns, mas para nós são suficientes para satisfazer plenamente nossa ambição.
Edward F. Crocker
Chefe do Departamento contra incêndio de Nova York - 1913
ANEXO IV
ORAÇÃO DO BOMBEIRO
Toma-me, Senhor, por instrumento de tua misericórdia. Faze tuas, minhas mãos e orienta meus passos, para que eu possa levar, no momento preciso, a quantos estejam em perigo, o ansiado salvamento. Multiplica, como fizestes com os pães e os peixes, meu vigor físico e minha agilidade. Faze-me potente, para resgatar da morte os que a ela se entregaram. Abençoa a minha boca para que eu possa soprar, no peito dos moribundos, o alento vital que lhes foge. Faze-me paciente, perseverante, inteligente e abnegado. Ensina-me a amar o próximo mais ainda que a mim mesmo, para que eu nunca falhe no cumprimento de meus deveres de Bombeiro Militar. Dá-me sobretudo Senhor, total desprendimento para que eu jamais hesite no ato de salvar, em sacrificar pelo meu semelhante minha própria vida.
ANEXO V
MANDAMENTOS E FUNÇÃO ESPIRITUAL DOS BOMBEIROS
I - Nunca te esqueças que envergas uma farda que vigia teus atos e que te condena se não a respeitares;
II - No momento de perigo, esquece a tua família, a ti próprio e põe a frente de teus olhos a nossa divisa "servir";
III - Sendo um inimigo que precisar de ti, apressa os teus passos e abre ainda mais o teu coração;
IV - Recorda-te que és o verdadeiro amigo, que aparece enquanto os outros fogem e, por isso, não te demores;
V - Não frequentes lugares que manchem tua farda, lembra-te de que há nódoas que nunca se apagam;
VI - Onde estiver um bombeiro, deve estar sempre um amigo dos animais, um amparo dos fracos, um protetor das crianças, dos idosos, das mulheres, dos que precisam, grandes e pequenos;
VII - Traz sempre na idéia esta palavra: "disciplina". As suas letras constituem todo o alfabeto do bombeiro;
VIII - A farda deve estar tão limpa quanto a consciência. Quem as trás sujas não pode e não deve ser bombeiro;
IX - Um camarada é um irmão. Abraça-o com tua lealdade, porque ele sofre as tuas dores e vive as tuas alegrias;
X - Hás muitos sistemas, doutrinários, partidários, seitas e dogmas. Para o bombeiro, só há uma política, uma religião, uma ideologia: "a humanidade".
ANEXO VI
SOLDADO DO FOGO
Luzes, chama, fumaça,
grito e desolação.
Sirenes que cortam os ares,
ruídos de caminhões.
Espanto!
Pânico na escuridão.
São mangueiras que se arrastam
como serpentes que buscam
as labaredas fumegantes
é a bravura que caminha
sem hesitação,
é a batalha que começa,
batalha - destruição.
Silencia das chamas
o crepitar infernal.
As sirenes agora
acompanham o bravo
que volta ao seu posto
de vigília constante,
com o suor no rosto,
as roupas manchadas, molhadas,
no cáqui rasgado
marcas de carção.
São heróis que retornaram
sem festas ou glórias,
simplesmente bombeiros.
Foi cumprida a missão.
Ten. Cel. PM Antônio Manoel da Silveira
BIBLIOGRAFIA
INCÊNDIO. Enciclopédia Universal. v. 8. p . 4180 - 82, 1982.
INCÊNDIO. Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. v. 9 - p. 205 - 208, 1994.
SILVEIRA, Antônio Manoel da. Prevenção, combate a incêndio e salvamento em edifício. Edição Especial. Santa Catarina, 1989.
CASTIÑEIRA, Angel. A experiência de Deus na pós-modernidade. Petrópolis: Vozes, 1997.
GUARESCHI, Pedrinho A. Sociologia da prática social. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1995
LIMA, Délcio Monteiro de. Os demônios descem do norte. 4 ed. Belo Horizonte: Francisco Alves, 1987 (?).
KOINONIA. Presença Ecumênica e Serviço.
MARX, Karl. A ideologia alemã. 5 ed. São Paulo: Hucitec, 1986.
ORO, Ari Pedro e STEIL, Carlos Alberto (orgs.) Globalização e Religião. Petrópolis: Vozes, 1997.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Filosofia. São Paulo: Cortez, 1984.
GAIDIZINSKI, Areti M, CARMINATI, Fábia L. L. Metodologia do trabalho científico: conceitos preliminares, estratégias e ações, diretrizes para a elaboração do trabalho científico na graduação. Criciúma: Gráfica Líder, 1995. Coleção estudos. Metodologia Científica; 01.
Perspectiva religiosa no Corpo de Bombeiros.
JUSTIFICATIVA
- Entendimento do pluralismo religioso dentro das mais diversas esferas da sociedade, a partir de um grupo determinado;
- Aprofundamento da concepção religiosa do grupo pesquisado, tendo em vista o trabalho realizado na comunidade;
- Conhecer a dimensão de religiosidade, de limitação de sentido da vida, de realização pessoal e coletivo
- Que contribuições o grupo pode dar a sociedade no aspecto religioso.
PROBLEMA CENTRAL
Como se manifesta o fenômeno religioso no corpo de bombeiros em Curitibanos no ano de 1998.
OBJETIVOS
- Compreender o sentimento religioso que envolve um grupo de profissionais que trabalham com a vida e com a morte;
- Entender como se dá a manifestação religiosa no referido grupo diante das tragédias vivenciadas.
APRESENTAÇÃO
O ser humano por natureza busca superar-se, buscar sentido para sua vida; então, procura de várias maneiras esta superação que ocorre através de sua manifestação religiosa. Buscar a religiosidade é uma característica do ser humano em qualquer época, mas que se manifesta de maneira diversa, independente da situação social.
METODOLOGIA
Depois de fazer leitura sobre o assunto vamos realizar uma pesquisa de campo com os bombeiros, através de um questionário em anexo.
QUESTIONÁRIO
1 - Nome, idade e grau de instrução.
2 - O que o levou a escolher esta profissão?
2.1 - Quantas horas trabalha por dia?
2.2 - O que faz nas horas de folga?
3 - Como se dá o envolvimento religioso em sua comunidade de fé, tendo em vista o trabalho que realiza?
4 - O que é mais importante na sua vida, o que dá mais sentido, mais realização profissional?
5 - O que é a morte para você? O que acha que acontece após a morte?
6 - Você já sentiu que a sua presença salvou a vida de alguém? E quando não conseguiu, o que sentiu?
7 - O que você acha das vários situações que presenciou realizando seu trabalho?
8 - O que mais te impressiona ao imaginar a virada do milênio?
9 - Falando de futuro, qual o teu sonho, o que espera realizar?
1 INTRODUÇÃO
Como se dá o fenômeno religioso, como transcende a vida irradiada e imanada num grupo que trabalha defendendo a vida nas mais diversas instâncias da sociedade. Como se observa a religiosidade e a espiritualidade, no atendimento aos seres humanos que precisam do trabalho do corpo de bombeiros; o que é mais importante nesta hora: pensar em Deus?, manter o sangue frio?, deixar levar-se pelas emoções? Como se desenvolve o conhecimento religioso que lhe possibilite interferir no meio em que vive e em si próprio.
2 O CORPO DE BOMBEIROS
Desde o seu surgimento, o ser humano tem demonstrado tendências fortes à busca de explicações para os fenômenos ocorridos na natureza, criando assim uma ligação com um ser sobrenatural de onde procura extrair todas as respostas para suas inquietações e interrogações, surgindo assim o fenômeno religioso, este, que por sua vez se manifesta das mais diversas formas, nos mais diversos lugares e povos, conforme as crenças e culturas destes.
Com o surgimento de novas formas de vida ou novos modos de viver, o próprio aprimoramento da sociedade, o evoluir próprio do ser humano e das próprias ciências, o fenômeno religioso foi tendo diferentes interpretações.
O processo de evolução cultural fez com que o homem mudasse seu próprio comportamento religioso, frente a diversidade religiosa e com isso teve uma estruturação de vida frente ao transcendente de forma muito diferenciada do ser humano primitivo, que adorava coisas da natureza, inventava mitos e deuses, ídolos, para explicar a própria estruturação da sociedade em que vivia.
Vivemos num mundo completamente diferente: plural, globalizado e diverso, onde com todas as dificuldades encontradas ainda tentamos explicar alguns fatos como se fossem coisas do além.
O mundo mudou, a natureza continua sofrendo os desmandos do homem, que tenta buscar explicação para seu próprio ser, para sua vida, a existência da vida e para a continuação da vida. É neste contexto que entra o fenômeno religioso.
O homem atual é incapaz de sobreviver sem uma ligação constante com o sobrenatural, imanente ou transcendente, para explicar-se dentro de uma pluralidade social, cultural, econômica, política, religiosa, ...
Todos os grupos existentes dentro da sociedade manifestam direta ou indiretamente o fenômeno religioso.
Dentro de todas essas perspectivas encaixa-se o grupo do corpo de bombeiros do 2º Batalhão de Bombeiro Militar em Curitibanos, com 86 membros, dos quais 17 fizeram parte de uma pesquisa sobre o fenômeno religioso. Os entrevistados com faixa etária entre 25 e 35 anos, com escolaridade entre 1º e 3º graus, fizeram esta opção profissional, alguns por falta de oportunidades no campo de trabalho e outros por sentirem-se chamados a esta vocação, trabalhando 8 horas diárias.
Com suas formas e características próprias têm um modo especial de manifestar o sentimento sobre-humano, o sentimento religioso, que acontece de forma indireta , pois ao colocar sua vida à disposição do bem de uma determinada sociedade, o mesmo se dá de forma transcendental sem esperar recompensas pelo trabalho realizado.
Uma análise interessante sobre o corpo de bombeiros e seu fenômeno religioso é o desprendimento total na ação salvífica realizada pelos mesmos às pessoas, sem que haja interesses econômicos, e sim a gratificação pelo reconhecimento do trabalho prestado.
A motivação maior no desempenho de suas funções é saber que através der seu trabalho, agindo em defesa da vida, mesmo que não sejam atuantes em suas comunidades de fé , existe a presença constante do transcendente emanado em seus gestos e atitudes.
Suas emoções transcendem, o fenômeno religioso se faz presente, o homem adquire uma força especial, muito grande, quando envolve-se no seu cotidiano. As emoções se fazem presentes quando o desespero, a dor, a angústia, o pânico, a morte, a incerteza do que pode vir é presenciada, por ver outros seres humanos dotados dos mesmos sentimentos em situações desesperadoras, aguardando a sua ajuda.
Neste momento é difícil controlar as emoções, mas se faz necessário agir com precisão e muitas vezes com frieza, principalmente quando deparam-se com situações em que estão envolvidas pessoas próximas ou crianças, pois crianças são seres inocentes e ao perderem a vida deixam de realizar projetos que poderiam ser grandiosos para a humanidade.
A morte, algo inexplicável, que foge do controle do ser humano, é preocupante, estranha; não se pode acreditar infinitamente que haja algo além da morte; mas, que se espera que a morte não seja um fim, e sim uma esperança de eternidade. Existe uma misticidade muito grande em relação ao assunto abordado, mesmo existindo diversas concepções.
Quando o grupo pesquisado se vê diante da morte, pensa no porquê das coisas, no valor da vida, na alegria de se poder evitar as coisas ruins e na impotência diante de uma tragédia do inevitável, assim como é inevitável a virada do milênio.
A expectativa da virada do milênio é que grandes mudanças aconteçam no campo econômico, social, político, religioso, mas as mudanças não acontecem radicalmente , é um processo lento, que vem se preparando gradativamente, trazendo com isso a insegurança, o medo, a incerteza. A preocupação com relação a vida e a sobrevivência e novos valores no futuro é muito grande, porém é preciso acreditar que o mundo foi criado por um ser superior ao homem, que continuará tomando conta de tudo que criou, mesmo depois da virada do milênio. O homem jamais vai conseguir superar Deus e a tecnologia nunca vai poder alcançar os poderes de Deus.
Pode pensar-se que a virada do milênio seja um ano a mais no calendário, mas resiste a esperança de que se forme uma sociedade justa, fraterna e igualitária.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O fenômeno religioso dos bombeiros mesmo não acontecendo de maneira explícita, freqüentando a igreja, rezando diariamente, acontece e de maneira especial quando se preocupam com a vida de seres humanos e o bem comum de uma sociedade.
Endendeu-se que o fenômeno religioso emanado dessa maneira é tão importante quanto os outros que participam ativamente em suas comunidades de fé.
ANEXO 1
CORPO DE BOMBEIROS
Não se tem data da fundação da organização. Em 27 a.C. o imperador Augusto formou um grupo de vigilis que patrulhavam as ruas para impedir incêndios e para policiar a cidade. Sabe-se muito pouco sobre a organização na Europa, até o grande incêndio de 1666 em Londres, que consumiu 13.200 construções.
CORPO DE BOMBEIROS NO BRASIL
- corpo de bombeiros provisório da corte, criado em 02 de julho de 1856;
- em 1865 foi fornecida a primeira bomba a vapor à instituição;
- em 1880 ao grupo passou a ter organização militar;
- em 1913 a tração animal das viaturas, adotada em 1870 foi substituída pela mecânica .
Além das atribuições definidas em lei, incumbe também a execução de atividades de defesa civil (vários tipos de incêndio, inspeção em edifícios públicos, socorrerem pessoas em vários tipos de emergências, retirar as pessoas presas nas ferragens após acidente de carro, de trem ou de avião, socorrer vítimas de desabamento, enchentes, etc.
CORPO DE BOMBEIROS EM SANTA CATARINA
- teve sua criação através da promulgação da lei 1137 de 30 de setembro de 1917;
- a lei que criava o corpo de bombeiros foi sancionada em 16 de setembro de 1919;
- deu-se em 02 de outubro a primeira ocorrência atendida pela guarnição da Seção do Corpo de Bombeiros.
Hoje o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar conta com 28 organizações de Bombeiros Militar, distribuídas no Estado e possui um efetivo de 1873 homens para o atendimento da população catarinense.
ANEXO 2
PATRONO DOS BOMBEIROS
O Corpo de Bombeiros é uma instituição milenar internacional, tendo o dia 04 de maio consagrado ao patrono e protetor dos bombeiros do mundo inteiro.
São incontáveis vidas de heróis anônimos ceifadas no afã de salvar o bem maior de seu irmão, que é a vida.
Floriano, Mártir que deu a vida pela fé e em prol do seu semelhante, na ânsia de salvar bens e principalmente vidas, é venerado em todo o mundo particularmente nas regiões da Baviera e da Áustria. Era militar, representado no estilo romano antigo, tendo na mão uma lança e uma bandeira desfraldada. Assim sua imagem é encontrada nas igrejas do estilo barroco e na maioria das casas particulares. Florirão tinha um verdadeiro sentido de proteção contra incêndio, saía de casa em casa, família em família orientando as pessoas do risco que o fogo oferecia a estes. Era um verdadeiro "bombeiro de rua".
Florirão viveu no tempo do imperador Deocleciano, no século III. Sendo um cristão, o cristianismo teve a propagação em vastas colônias romanas. Por não seguirem a ordem do imperador para perseguir os cristãos muitos soldados foram condenados à morte, entre eles Floriano. Foram condenados a serem precipitados no Rio Ens, com uma pedra amarrada no pescoço. O corpo de Floriano foi resgatado do fundo do rio por gente que tinham-no como protetor contra incêndio, e o sepultaram honrosamente onde mais tarde foi construído o Convento Agostiniano que lhe perpetuaram a gloriosa memória.
ANEXO III
SER BOMBEIRO
Não há para nós neste mundo ambição maior do que ser Bombeiro. Essa é uma posição que, para os mais desavisados, poderá parecer modéstia. Nós porém, familiarizados com as tarefas dos Bombeiros, acreditamos ser esta uma nobre vocação. Empehamo-nos em preservar da destruição as riquezas deste mundo.
Mas, acima de tudo, nosso maior orgulho é o esforço para salvar a vida humana, criação do próprio Deus. A nobreza de nossa ocupação nos apaixona, estimulando-nos a atos de coragem e até mesmo ao sacrifício supremo. Estas considerações podem não sensibilizar a alguns, mas para nós são suficientes para satisfazer plenamente nossa ambição.
Edward F. Crocker
Chefe do Departamento contra incêndio de Nova York - 1913
ANEXO IV
ORAÇÃO DO BOMBEIRO
Toma-me, Senhor, por instrumento de tua misericórdia. Faze tuas, minhas mãos e orienta meus passos, para que eu possa levar, no momento preciso, a quantos estejam em perigo, o ansiado salvamento. Multiplica, como fizestes com os pães e os peixes, meu vigor físico e minha agilidade. Faze-me potente, para resgatar da morte os que a ela se entregaram. Abençoa a minha boca para que eu possa soprar, no peito dos moribundos, o alento vital que lhes foge. Faze-me paciente, perseverante, inteligente e abnegado. Ensina-me a amar o próximo mais ainda que a mim mesmo, para que eu nunca falhe no cumprimento de meus deveres de Bombeiro Militar. Dá-me sobretudo Senhor, total desprendimento para que eu jamais hesite no ato de salvar, em sacrificar pelo meu semelhante minha própria vida.
ANEXO V
MANDAMENTOS E FUNÇÃO ESPIRITUAL DOS BOMBEIROS
I - Nunca te esqueças que envergas uma farda que vigia teus atos e que te condena se não a respeitares;
II - No momento de perigo, esquece a tua família, a ti próprio e põe a frente de teus olhos a nossa divisa "servir";
III - Sendo um inimigo que precisar de ti, apressa os teus passos e abre ainda mais o teu coração;
IV - Recorda-te que és o verdadeiro amigo, que aparece enquanto os outros fogem e, por isso, não te demores;
V - Não frequentes lugares que manchem tua farda, lembra-te de que há nódoas que nunca se apagam;
VI - Onde estiver um bombeiro, deve estar sempre um amigo dos animais, um amparo dos fracos, um protetor das crianças, dos idosos, das mulheres, dos que precisam, grandes e pequenos;
VII - Traz sempre na idéia esta palavra: "disciplina". As suas letras constituem todo o alfabeto do bombeiro;
VIII - A farda deve estar tão limpa quanto a consciência. Quem as trás sujas não pode e não deve ser bombeiro;
IX - Um camarada é um irmão. Abraça-o com tua lealdade, porque ele sofre as tuas dores e vive as tuas alegrias;
X - Hás muitos sistemas, doutrinários, partidários, seitas e dogmas. Para o bombeiro, só há uma política, uma religião, uma ideologia: "a humanidade".
ANEXO VI
SOLDADO DO FOGO
Luzes, chama, fumaça,
grito e desolação.
Sirenes que cortam os ares,
ruídos de caminhões.
Espanto!
Pânico na escuridão.
São mangueiras que se arrastam
como serpentes que buscam
as labaredas fumegantes
é a bravura que caminha
sem hesitação,
é a batalha que começa,
batalha - destruição.
Silencia das chamas
o crepitar infernal.
As sirenes agora
acompanham o bravo
que volta ao seu posto
de vigília constante,
com o suor no rosto,
as roupas manchadas, molhadas,
no cáqui rasgado
marcas de carção.
São heróis que retornaram
sem festas ou glórias,
simplesmente bombeiros.
Foi cumprida a missão.
Ten. Cel. PM Antônio Manoel da Silveira
BIBLIOGRAFIA
INCÊNDIO. Enciclopédia Universal. v. 8. p . 4180 - 82, 1982.
INCÊNDIO. Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. v. 9 - p. 205 - 208, 1994.
SILVEIRA, Antônio Manoel da. Prevenção, combate a incêndio e salvamento em edifício. Edição Especial. Santa Catarina, 1989.
CASTIÑEIRA, Angel. A experiência de Deus na pós-modernidade. Petrópolis: Vozes, 1997.
GUARESCHI, Pedrinho A. Sociologia da prática social. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1995
LIMA, Délcio Monteiro de. Os demônios descem do norte. 4 ed. Belo Horizonte: Francisco Alves, 1987 (?).
KOINONIA. Presença Ecumênica e Serviço.
MARX, Karl. A ideologia alemã. 5 ed. São Paulo: Hucitec, 1986.
ORO, Ari Pedro e STEIL, Carlos Alberto (orgs.) Globalização e Religião. Petrópolis: Vozes, 1997.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Filosofia. São Paulo: Cortez, 1984.
GAIDIZINSKI, Areti M, CARMINATI, Fábia L. L. Metodologia do trabalho científico: conceitos preliminares, estratégias e ações, diretrizes para a elaboração do trabalho científico na graduação. Criciúma: Gráfica Líder, 1995. Coleção estudos. Metodologia Científica; 01.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Dualismo e memória em Las Casas - José Alves de Freitas Neto
Quando falamos a respeito da conquista da América logo nos vem à memória a destruição dos povos que aqui já viviam. No trabalho de Las Casas, podemos constatar dois fatores muito importantes: o dualismo e a “análise voltada para uma consciência da derrota e a identidade construída” a partir disso.
Sempre procuramos ver o bem e o mal, o certo e o errado e muitas vezes não fazemos uma análise mais profunda sobre o assunto, pois esse é o desejo de “construir um mundo mais organizado”.
O texto de Las Casas possui uma dimensão redentora, “de solidariedade em relação aos ameríndios”, por nos “associarmos à idéia cristã de sacrifício imposta aos índios, a impossibilidade de manifestação de alteridade”, pois na tradição cristã há relatos como prova de fé, como o caso de Abraão, que iria sacrificar o seu filho em nome de seu deus. “O texto bíblico necessita de uma interpretação a partir de seu conteúdo, sua pretensão à autoridade absoluta leva-o ainda mais longe”.
A pergunta que fica é por que Las Casas perdura ou ainda, por que seu relato é tão conhecido? Talvez, seja a “tentativa de suplantar a realidade e reinterpretá-la, na busca desse universo absoluto”.
Aí entramos numa temática cristã, como o “mito fundador, o paraíso”, os indígenas vistos como “pessoas boas e dóceis, harmonia e paz” e por outro lado, “a brutalidade, a ação inescrupulosa contra os mais fracos, a expulsão do paraíso, a instalação do conflito, o castigo”.
Ainda temos a construção da memória, feita por “elementos trágicos, pela dor incessante, a impotência dos indivíduos diante das instituições e a possibilidade de redenção”, além da forma como cada um de nós se identifica “com os índios criados pelo dominicano”.
Esse trabalho de Las Casas cria “uma crise de consciência no Império Espanhol”, pois as “justificativas para continuar a empreitada colonizadora não se tornam tão populares por não ter a mesma força trágica” do material produzido pelo dominicano.
Os espanhóis, por estarem mais acostumados com os mártires cristãos, vão acreditar que os índios estão sendo massacrados, ao invés de “imagina-los como bárbaros e ameaçadores da cultura hispânica”. Eles preferem ficar com a teoria de que “os índios são doces, mansos, obedientes e criados pelo mesmo Deus, do que se identificarem com o “interesse do Império”.
Com essas duas narrativas “há uma tentativa espanhola de justificar-se, ma não há uma tentativa de compreender a América”. Não havia preocupação sobre o que esse novo mundo representava para eles, mas simplesmente como eles deveriam estender seus domínios sobre esse povo, não havendo, portanto, a tentativa de compreender a América.
A “descrição feita por Las Casas sobre os próprios índios, corresponde a imagem frágil, apática e submissa”, ficando dentro de sua formação cristã, enfatizando o índio como dócil, “para reforçar a glorificação da vítima”, por isso, “foi possível despertar a compaixão, dessa forma retirando dos índios a sua condição de sujeitos históricos”.
“Las Casas questiona o método da conquista”e em seus textos podemos perceber uma certa alteridade, pois ele, bispo, “trata de compreender a importância dos costumes dos costumes e das crenças destes dentro da estrutura de sua própria cultura”, elaborando, talvez, “uma teoria da igualdade de culturas, em estágios distintos e possíveis de culturas”.
“O sucesso de Las Casas é originário de sua sangrenta descrição da conquista, fortes imagens construídas, a idéia de massacre e opressão com os dóceis e pacatos índios”, reforçando uma “visão do índio como papel em branco”, sem história, sem vida, não descrevendo seus valores culturais, não sendo visto. Utiliza uma linguagem religiosa, como “estas gentes eram as mais bem-aventuradas do mundo, só conheceram a Deus, ovelhas mansas e de qualidades sobreditas por seu Fazedor e Criador assim dotadas”. Podemos ver com isso, nas entrelinhas, que os índios pareciam não ter história, e que estavam abertos à doutrinação cristã.
Uma outra possibilidade de análise para a construção da memória é como “poderia ser a da identidade dos derrotados e o imaginário sobre como deveria ser” numa “contraposição entre o real e o sonho”.
“O julgamento a posteriori é fácil de ser feito”, pois, “ouve-se o relato da dor, a guerra foi desleal, as condições da conquista tornam-na vergonhosa”. É como ver o passado como o paraíso perdido.
Deveríamos pensar “se outros tivessem sido os caminhos”, criando a possibilidade de imaginarmos, de construir esse outro caminho”.
Podemos dizer que a obra de Las Casas teve aceitação pelo fato de “inserir-nos no universo dualista e na crônica da dor dos derrotados”. é Verdade que existem críticas, feitos pelos inimigos do dominicano, acerca de erros estatísticos, sobre o número de dizimados, colocando “em dúvida a veracidade da narrativa”.
A “sua participação no processo de colonização”, vai fazer com que ele se envolva muito mais em suas atividades pastorais.
Quando em um debate com o jurista Juan Ginés de Sepúlveda, sendo a “expressão da memória da Corte Espanhola”, debateu-se sobre o índio, mas não com o índio e sua cultura”. O que foi discutido entre ambos na mostra o índio, “mas a visão européia sobre os eventuais limites para suas ações colonizadoras”. Os espanhóis tentam mostrar para eles mesmos o direito que possuíam sobre os povos conquistados, onde ao índio coube “ser objeto da discussão, de citações, mas não lhe deram a chance de ser seu próprio defensor”, representando com isso a anulação do índio como sujeito político.
“Las Casas será ouvido, pois ele fala como membro da Igreja, sua atuação parece ter sido muito mais em função desta sua posição do que a de defensor indígena”. O que podemos entender do texto é que “o debate desqualifica o indígena”, pois foi discutido “sobre a noção de barbárie e d\o emprego ou não da força no exercício colonizador. Sepúlveda defende que “se retire os indígenas de seu estado bárbaro”, pois isto traria vantagens para ambos os lados, “mas os índios deverão obedecer às pessoas mais humanas, mais prudentes e mais excelentes para ser governadas com melhores costumes e instituições”, onde “a recusa do índio pode justificar a guerra”.
Entendemos que Las Casas “previa uma conquista pacífica”, com o “propósito evangelizador. A ele coube “defender a posição dos vencidos”e o “questionamento moral da conquista”.
Às vezes acreditamos que Las Casa tenha sido mais fraco e injustiçado. há um certo dualismo nessa posição, pois “parece não haver espaço para a atuação dos sujeitos comuns na história; ou se é o valente conquistador, enviado pelo poderoso rei¸ ou se é o doce índio, vítima perfeita, que parece se oferecer em sacrifício pelo simples fato de existir”.
Temos aqui uma visão cristã dos fatos, pois “a história se confunde com uma trama literária, onde a expectativa é a de que sempre o bem vença, os justos prevalecerão, o triunfo e a redenção sejam dos que foram perseguidos e injustiçados”. “O imaginário criado poderá ser atingido por todos: ou se é sempre justo, ou o seu contrário. Esse jogo leva à mera identificação de um ou de outro partido”, não havendo “processo reflexivo e questionador”.
Las Casas “identificou e nomeou os lados em disputa na conquista e colonização. Estar contra o que disse Las Casas ou questioná-lo, “pode significar estar ao lado da sangrenta ação hispânica” e “todos que se opuseram aos dominicanos parecem ser facínoras”.
Las Casas “encontrou espaço para construir seu imaginário e conseguiu adeptos, mais por sua capacidade imagética do que por suas incontáveis polêmicas com os membros da Corte”.
Sua obra está alicerçada no cristianismo, tendo a frente “a idéia de um plano divino que incumbe os homens de reconstruir o paraíso, restabelecer a bondade divina”. Para isso precisamos que existam os mártires, “para que o mundo volte a trilhar o plano de Deus”.
Estamos, ainda hoje, “em busca de uma harmonia para os povos que se encontraram e passaram a ter vidas interligadas”. Os indígenas ainda procuram a terra sem males e a “diminuição da população indígena e de seus descendentes soa, por vezes, como uma condenação que paira sobre as instituições e descendentes do colonizador espanhol. Por outro lado, a não implantação do modelo lascasiano o impediu de desgastar-se”.
Sempre procuramos ver o bem e o mal, o certo e o errado e muitas vezes não fazemos uma análise mais profunda sobre o assunto, pois esse é o desejo de “construir um mundo mais organizado”.
O texto de Las Casas possui uma dimensão redentora, “de solidariedade em relação aos ameríndios”, por nos “associarmos à idéia cristã de sacrifício imposta aos índios, a impossibilidade de manifestação de alteridade”, pois na tradição cristã há relatos como prova de fé, como o caso de Abraão, que iria sacrificar o seu filho em nome de seu deus. “O texto bíblico necessita de uma interpretação a partir de seu conteúdo, sua pretensão à autoridade absoluta leva-o ainda mais longe”.
A pergunta que fica é por que Las Casas perdura ou ainda, por que seu relato é tão conhecido? Talvez, seja a “tentativa de suplantar a realidade e reinterpretá-la, na busca desse universo absoluto”.
Aí entramos numa temática cristã, como o “mito fundador, o paraíso”, os indígenas vistos como “pessoas boas e dóceis, harmonia e paz” e por outro lado, “a brutalidade, a ação inescrupulosa contra os mais fracos, a expulsão do paraíso, a instalação do conflito, o castigo”.
Ainda temos a construção da memória, feita por “elementos trágicos, pela dor incessante, a impotência dos indivíduos diante das instituições e a possibilidade de redenção”, além da forma como cada um de nós se identifica “com os índios criados pelo dominicano”.
Esse trabalho de Las Casas cria “uma crise de consciência no Império Espanhol”, pois as “justificativas para continuar a empreitada colonizadora não se tornam tão populares por não ter a mesma força trágica” do material produzido pelo dominicano.
Os espanhóis, por estarem mais acostumados com os mártires cristãos, vão acreditar que os índios estão sendo massacrados, ao invés de “imagina-los como bárbaros e ameaçadores da cultura hispânica”. Eles preferem ficar com a teoria de que “os índios são doces, mansos, obedientes e criados pelo mesmo Deus, do que se identificarem com o “interesse do Império”.
Com essas duas narrativas “há uma tentativa espanhola de justificar-se, ma não há uma tentativa de compreender a América”. Não havia preocupação sobre o que esse novo mundo representava para eles, mas simplesmente como eles deveriam estender seus domínios sobre esse povo, não havendo, portanto, a tentativa de compreender a América.
A “descrição feita por Las Casas sobre os próprios índios, corresponde a imagem frágil, apática e submissa”, ficando dentro de sua formação cristã, enfatizando o índio como dócil, “para reforçar a glorificação da vítima”, por isso, “foi possível despertar a compaixão, dessa forma retirando dos índios a sua condição de sujeitos históricos”.
“Las Casas questiona o método da conquista”e em seus textos podemos perceber uma certa alteridade, pois ele, bispo, “trata de compreender a importância dos costumes dos costumes e das crenças destes dentro da estrutura de sua própria cultura”, elaborando, talvez, “uma teoria da igualdade de culturas, em estágios distintos e possíveis de culturas”.
“O sucesso de Las Casas é originário de sua sangrenta descrição da conquista, fortes imagens construídas, a idéia de massacre e opressão com os dóceis e pacatos índios”, reforçando uma “visão do índio como papel em branco”, sem história, sem vida, não descrevendo seus valores culturais, não sendo visto. Utiliza uma linguagem religiosa, como “estas gentes eram as mais bem-aventuradas do mundo, só conheceram a Deus, ovelhas mansas e de qualidades sobreditas por seu Fazedor e Criador assim dotadas”. Podemos ver com isso, nas entrelinhas, que os índios pareciam não ter história, e que estavam abertos à doutrinação cristã.
Uma outra possibilidade de análise para a construção da memória é como “poderia ser a da identidade dos derrotados e o imaginário sobre como deveria ser” numa “contraposição entre o real e o sonho”.
“O julgamento a posteriori é fácil de ser feito”, pois, “ouve-se o relato da dor, a guerra foi desleal, as condições da conquista tornam-na vergonhosa”. É como ver o passado como o paraíso perdido.
Deveríamos pensar “se outros tivessem sido os caminhos”, criando a possibilidade de imaginarmos, de construir esse outro caminho”.
Podemos dizer que a obra de Las Casas teve aceitação pelo fato de “inserir-nos no universo dualista e na crônica da dor dos derrotados”. é Verdade que existem críticas, feitos pelos inimigos do dominicano, acerca de erros estatísticos, sobre o número de dizimados, colocando “em dúvida a veracidade da narrativa”.
A “sua participação no processo de colonização”, vai fazer com que ele se envolva muito mais em suas atividades pastorais.
Quando em um debate com o jurista Juan Ginés de Sepúlveda, sendo a “expressão da memória da Corte Espanhola”, debateu-se sobre o índio, mas não com o índio e sua cultura”. O que foi discutido entre ambos na mostra o índio, “mas a visão européia sobre os eventuais limites para suas ações colonizadoras”. Os espanhóis tentam mostrar para eles mesmos o direito que possuíam sobre os povos conquistados, onde ao índio coube “ser objeto da discussão, de citações, mas não lhe deram a chance de ser seu próprio defensor”, representando com isso a anulação do índio como sujeito político.
“Las Casas será ouvido, pois ele fala como membro da Igreja, sua atuação parece ter sido muito mais em função desta sua posição do que a de defensor indígena”. O que podemos entender do texto é que “o debate desqualifica o indígena”, pois foi discutido “sobre a noção de barbárie e d\o emprego ou não da força no exercício colonizador. Sepúlveda defende que “se retire os indígenas de seu estado bárbaro”, pois isto traria vantagens para ambos os lados, “mas os índios deverão obedecer às pessoas mais humanas, mais prudentes e mais excelentes para ser governadas com melhores costumes e instituições”, onde “a recusa do índio pode justificar a guerra”.
Entendemos que Las Casas “previa uma conquista pacífica”, com o “propósito evangelizador. A ele coube “defender a posição dos vencidos”e o “questionamento moral da conquista”.
Às vezes acreditamos que Las Casa tenha sido mais fraco e injustiçado. há um certo dualismo nessa posição, pois “parece não haver espaço para a atuação dos sujeitos comuns na história; ou se é o valente conquistador, enviado pelo poderoso rei¸ ou se é o doce índio, vítima perfeita, que parece se oferecer em sacrifício pelo simples fato de existir”.
Temos aqui uma visão cristã dos fatos, pois “a história se confunde com uma trama literária, onde a expectativa é a de que sempre o bem vença, os justos prevalecerão, o triunfo e a redenção sejam dos que foram perseguidos e injustiçados”. “O imaginário criado poderá ser atingido por todos: ou se é sempre justo, ou o seu contrário. Esse jogo leva à mera identificação de um ou de outro partido”, não havendo “processo reflexivo e questionador”.
Las Casas “identificou e nomeou os lados em disputa na conquista e colonização. Estar contra o que disse Las Casas ou questioná-lo, “pode significar estar ao lado da sangrenta ação hispânica” e “todos que se opuseram aos dominicanos parecem ser facínoras”.
Las Casas “encontrou espaço para construir seu imaginário e conseguiu adeptos, mais por sua capacidade imagética do que por suas incontáveis polêmicas com os membros da Corte”.
Sua obra está alicerçada no cristianismo, tendo a frente “a idéia de um plano divino que incumbe os homens de reconstruir o paraíso, restabelecer a bondade divina”. Para isso precisamos que existam os mártires, “para que o mundo volte a trilhar o plano de Deus”.
Estamos, ainda hoje, “em busca de uma harmonia para os povos que se encontraram e passaram a ter vidas interligadas”. Os indígenas ainda procuram a terra sem males e a “diminuição da população indígena e de seus descendentes soa, por vezes, como uma condenação que paira sobre as instituições e descendentes do colonizador espanhol. Por outro lado, a não implantação do modelo lascasiano o impediu de desgastar-se”.
RESENHA: A sociedade cavaleiresca
DUBY, Georges. A sociedade cavaleiresca. São Paulo: Martins Fontes, 1989. pp. 3-55.
Os cavaleiros na Idade Média
É fantástico analisar toda a estrutura e organização social da Idade Média, desde o simples camponês que tem como atributo a produção de alimentos e bens necessários para que todos os grupos que a compõe possam sobreviver; o clero, que, como representantes do Sagrado tem a função de rezar e pedir pela salvação ou danação dos seus fiéis, e, o grupo dos senhores, nobres, pessoas com ou sem nome, que passam a ser aqueles que tem a função tática da proteção de todos nesta sociedade.
Neste pequeno texto, vamos abordar algumas questões acerca do cavaleiro medieval, grupo que ainda em nosso dias provoca anseios e nos remete a um mundo romântico e guerreiro, a um mundo onde tudo é capaz. Este grupo desperta inquietudes e paixões, desde os mais convictos historiadores, até as mais simples donzelas a espera de seu príncipe ou cavaleiro.
Estes cavaleiros foram um grupo andante que conquistou a “imaginação popular da Europa Medieval” e ainda está dentro de nossas ilusões.
Quando, o poder dos reis se esfacela no mundo feudal, e o senhor feudal começa a organizar-se no campo, junto de seus servos e outros nobres, há necessidade de um grupo que possa proteger a todos, e para isso, se faz necessário armar esse grupo.
Os senhores feudais necessitando de segurança, fazem armar os nobres e vassalos, criando uma força paramilitar no feudo, que aos poucos vai tendo a condição de cavaleiro, seja por andar a cavalo, seja por defender o feudo.
Com o avanço da técnica e mesmo com a inserção do “estribo”, se permite a esse “cavaleiro firmar-se melhor sobre o cavalo”, tendo agora “as mãos livres” para se defender e atacar.
Quando falamos que os nobres e vassalos, bem como seus descendentes ou mesmo filhos do senhor feudal, nobres desterrados (sem terras), é que vão se tornar os cavaleiros medievais, nos reportamos que esses guerreiros “precisavam de armas, cavalos, armaduras”, o que era muito dispendioso e, portanto, não caberia aos servos essa função por não terem acesso a praticamente nenhum bem, além do que, era necessária uma dedicação exclusiva “a carreira das armas”.
Quem constituía o grupo dos cavaleiros era na grande maioria, dono de terras e outros bens, não apenas de seu cavalo, custeando dessa forma “seu próprio aprendizado”, ou, ainda, “de boa linhagem familiar, mas de escassos recursos”, dependendo “de algum rico senhor” que pudesse prover as necessidades desse cavaleiro.
Os cavaleiros na Idade Média
É fantástico analisar toda a estrutura e organização social da Idade Média, desde o simples camponês que tem como atributo a produção de alimentos e bens necessários para que todos os grupos que a compõe possam sobreviver; o clero, que, como representantes do Sagrado tem a função de rezar e pedir pela salvação ou danação dos seus fiéis, e, o grupo dos senhores, nobres, pessoas com ou sem nome, que passam a ser aqueles que tem a função tática da proteção de todos nesta sociedade.
Neste pequeno texto, vamos abordar algumas questões acerca do cavaleiro medieval, grupo que ainda em nosso dias provoca anseios e nos remete a um mundo romântico e guerreiro, a um mundo onde tudo é capaz. Este grupo desperta inquietudes e paixões, desde os mais convictos historiadores, até as mais simples donzelas a espera de seu príncipe ou cavaleiro.
Estes cavaleiros foram um grupo andante que conquistou a “imaginação popular da Europa Medieval” e ainda está dentro de nossas ilusões.
Quando, o poder dos reis se esfacela no mundo feudal, e o senhor feudal começa a organizar-se no campo, junto de seus servos e outros nobres, há necessidade de um grupo que possa proteger a todos, e para isso, se faz necessário armar esse grupo.
Os senhores feudais necessitando de segurança, fazem armar os nobres e vassalos, criando uma força paramilitar no feudo, que aos poucos vai tendo a condição de cavaleiro, seja por andar a cavalo, seja por defender o feudo.
Com o avanço da técnica e mesmo com a inserção do “estribo”, se permite a esse “cavaleiro firmar-se melhor sobre o cavalo”, tendo agora “as mãos livres” para se defender e atacar.
Quando falamos que os nobres e vassalos, bem como seus descendentes ou mesmo filhos do senhor feudal, nobres desterrados (sem terras), é que vão se tornar os cavaleiros medievais, nos reportamos que esses guerreiros “precisavam de armas, cavalos, armaduras”, o que era muito dispendioso e, portanto, não caberia aos servos essa função por não terem acesso a praticamente nenhum bem, além do que, era necessária uma dedicação exclusiva “a carreira das armas”.
Quem constituía o grupo dos cavaleiros era na grande maioria, dono de terras e outros bens, não apenas de seu cavalo, custeando dessa forma “seu próprio aprendizado”, ou, ainda, “de boa linhagem familiar, mas de escassos recursos”, dependendo “de algum rico senhor” que pudesse prover as necessidades desse cavaleiro.
O CAPITALISMO E SUA POLITICA NEOLIBERAL NO BRASIL
Este trabalho tem como objetivo analisar o processo histórico capitalista no Brasil, considerando a política neoliberal como condutor de formação do país. Faz-se em primeiro momento uma discussão sobre a influência do sistema capitalista nos governos do Estado brasileiro, onde é notória a fragilidade da estrutura de nosso país em se tratando de princípios éticos e morais no que tange ao corpo político de condução de massa.
Brevemente, relatamos a trajetória do sistema capitalista entre os séculos XVIII e XX , partindo de princípios liberais de acúmulo de capital, onde, países como o Brasil, ficam reféns do sistema financeiro mundial (Bancos).
Apresentamos, também, o uso que o sistema faz do que venha a ser democracia, nesse caso, considerando que o Brasil, apesar do discurso, não a possui ainda.
Por fim, fazemos uma perspectiva futura da influência do sistema neoliberal no Estado brasileiro, levando-se em conta a precariedade política do país.
1 O CAPITALISMO E SUA POLÍTICA NEOLIBERAL NO BRASIL
Quando falamos em Brasil, muitas vezes, nos defrontamos com vários fatores que explicam as dificuldades políticas e econômicas em relação a países desenvolvidos. Tais fatores, acompanhados através do viés histórico político, emergem no cotidiano das massas, as quais de caráter totalmente subordinado, não por passividade, mas sim, pela confusão ideológica de condução nacional, ocasionando dessa forma uma desarmonia natural, levando a não coletividade e desunião de classes.
Quando analisamos os governos brasileiros, por exemplo, na sua amplitude histórica, podemos notar diretamente uma política subordinada, mostrando, dessa maneira, as divergências ideológicas em que está inserido o governo brasileiro. Dessa forma, os governos surgem no contexto do final do século XX, como uma máquina a serviço do poder da doutrina neoliberal, originando dessa forma uma incoerência de extrema importância que nos permite conhecer a verdadeira face do Brasil: Um país de extrema grandeza conduzida por uma política neocolonial, responsável pelo auge capitalista da América Anglo-saxônica e a maioria dos países europeus. Por esse viés, fica clara a fragilidade do Brasil, que vê na política neoliberal a solução para seus problemas, realizando, por ironia, uma política voltada para a subordinação imposta pelo Banco Mundial, na qual o capital é enfatizado.
O capitalismo e sua trajetória histórica entre o século XVIII ao século XX enfatizam o que venha a ser a nova doutrina liberal – neoliberalismo – na qual, parâmetros de produção e comercialização são remodelados.
Considerando a crise de 1929, podemos fazer uma análise dos países emergentes no mundo industrial, entre os quais o Brasil. A industrialização nacional-populista desses países tem como tutor o Estado que em contrapartida tem forte aliança com o sindicalismo, originando assim, um anti-antagonismo que, logicamente, acabou causando uma subordinação populacional que somente foi notado com a introdução política neoliberal.
Podemos diferenciar o neoliberalismo do liberalismo, considerando a doutrina neoliberal responsável pelo aniquilamento da política social, pois enfatiza a economia, algo, aliás, fator impeditivo para um desenvolvimento político social em países subdesenvolvidos devido a precariedade ideológica existente. O Brasil vem de longa data sofrendo a interferência da doutrina neoliberal, algo notório no sistema socioeconômico, político e ideológico.
Podemos deixar claro, também, que a ideologia neoliberal é falha em dois sentidos: primeiramente por considerar a democracia fator determinante, onde se sabe que, em países como o Brasil, fica praticamente impossível delinear o que venha a ser democracia, pois a grande massa não foi conduzida a discussão social em questão. Em outras palavras, como país emergente, não adota uma política voltada para o social, originando, por essa visão, o empobrecimento da economia interna do país. No segundo momento, por esse viés, podemos considerar que o Brasil não chega a um consenso político, econômico e social, pelo simples fato de não possuir uma definição ideológica a ser seguida, juntamente com fatores de corrupção e má distribuição de renda, ocasionadas pela legitimidade do sistema, que por ironia, imposta pela própria massa através das votações eleitorais e também pela concentração de renda na mão de uns poucos privilegiados.
Finalizando, o sistema capitalista, com sua relação de troca, tem como característica, a capacidade de sobreviver a qualquer risco que ponha seus interesses em jogo e, atualmente, com o avanço do neoliberalismo no processo de globalização, nosso país, o Brasil, por ser um país que não possui instabilidade econômica e principalmente política, tem tendências de ser explorado pelo avanço da privatização, salvo, se a curto e médio prazo, seja feita uma reforma política, econômica, cultural e social, na qual os interesses sejam exclusivamente voltados para o social, nesse caso, minimizando as desigualdades impostas pelo sistema neoliberal.
2 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como consideração final, fica clara a interferência do sistema capitalista, representado pelas teorias neoliberais, no processo de condução do Estado brasileiro, sendo que, historicamente, os governos que antecederam a direção do país serviram de máquina a serviço do capital multinacional e transnacional.
Fica claro, também, que apesar dos avanços do país na economia externa, pouco de fez para minimizar os problemas sociais do país, criados pelo avanço do neoliberalismo. Cabe, dessa forma, uma reestruturação nas bases políticas do país para minimizar os problemas. Para tanto faz-se necessário um trabalho de politização da massa, que, deveras, pela forte influência neoliberal existente no país, só será possível a médio/longo prazo.
Brevemente, relatamos a trajetória do sistema capitalista entre os séculos XVIII e XX , partindo de princípios liberais de acúmulo de capital, onde, países como o Brasil, ficam reféns do sistema financeiro mundial (Bancos).
Apresentamos, também, o uso que o sistema faz do que venha a ser democracia, nesse caso, considerando que o Brasil, apesar do discurso, não a possui ainda.
Por fim, fazemos uma perspectiva futura da influência do sistema neoliberal no Estado brasileiro, levando-se em conta a precariedade política do país.
1 O CAPITALISMO E SUA POLÍTICA NEOLIBERAL NO BRASIL
Quando falamos em Brasil, muitas vezes, nos defrontamos com vários fatores que explicam as dificuldades políticas e econômicas em relação a países desenvolvidos. Tais fatores, acompanhados através do viés histórico político, emergem no cotidiano das massas, as quais de caráter totalmente subordinado, não por passividade, mas sim, pela confusão ideológica de condução nacional, ocasionando dessa forma uma desarmonia natural, levando a não coletividade e desunião de classes.
Quando analisamos os governos brasileiros, por exemplo, na sua amplitude histórica, podemos notar diretamente uma política subordinada, mostrando, dessa maneira, as divergências ideológicas em que está inserido o governo brasileiro. Dessa forma, os governos surgem no contexto do final do século XX, como uma máquina a serviço do poder da doutrina neoliberal, originando dessa forma uma incoerência de extrema importância que nos permite conhecer a verdadeira face do Brasil: Um país de extrema grandeza conduzida por uma política neocolonial, responsável pelo auge capitalista da América Anglo-saxônica e a maioria dos países europeus. Por esse viés, fica clara a fragilidade do Brasil, que vê na política neoliberal a solução para seus problemas, realizando, por ironia, uma política voltada para a subordinação imposta pelo Banco Mundial, na qual o capital é enfatizado.
O capitalismo e sua trajetória histórica entre o século XVIII ao século XX enfatizam o que venha a ser a nova doutrina liberal – neoliberalismo – na qual, parâmetros de produção e comercialização são remodelados.
Considerando a crise de 1929, podemos fazer uma análise dos países emergentes no mundo industrial, entre os quais o Brasil. A industrialização nacional-populista desses países tem como tutor o Estado que em contrapartida tem forte aliança com o sindicalismo, originando assim, um anti-antagonismo que, logicamente, acabou causando uma subordinação populacional que somente foi notado com a introdução política neoliberal.
Podemos diferenciar o neoliberalismo do liberalismo, considerando a doutrina neoliberal responsável pelo aniquilamento da política social, pois enfatiza a economia, algo, aliás, fator impeditivo para um desenvolvimento político social em países subdesenvolvidos devido a precariedade ideológica existente. O Brasil vem de longa data sofrendo a interferência da doutrina neoliberal, algo notório no sistema socioeconômico, político e ideológico.
Podemos deixar claro, também, que a ideologia neoliberal é falha em dois sentidos: primeiramente por considerar a democracia fator determinante, onde se sabe que, em países como o Brasil, fica praticamente impossível delinear o que venha a ser democracia, pois a grande massa não foi conduzida a discussão social em questão. Em outras palavras, como país emergente, não adota uma política voltada para o social, originando, por essa visão, o empobrecimento da economia interna do país. No segundo momento, por esse viés, podemos considerar que o Brasil não chega a um consenso político, econômico e social, pelo simples fato de não possuir uma definição ideológica a ser seguida, juntamente com fatores de corrupção e má distribuição de renda, ocasionadas pela legitimidade do sistema, que por ironia, imposta pela própria massa através das votações eleitorais e também pela concentração de renda na mão de uns poucos privilegiados.
Finalizando, o sistema capitalista, com sua relação de troca, tem como característica, a capacidade de sobreviver a qualquer risco que ponha seus interesses em jogo e, atualmente, com o avanço do neoliberalismo no processo de globalização, nosso país, o Brasil, por ser um país que não possui instabilidade econômica e principalmente política, tem tendências de ser explorado pelo avanço da privatização, salvo, se a curto e médio prazo, seja feita uma reforma política, econômica, cultural e social, na qual os interesses sejam exclusivamente voltados para o social, nesse caso, minimizando as desigualdades impostas pelo sistema neoliberal.
2 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como consideração final, fica clara a interferência do sistema capitalista, representado pelas teorias neoliberais, no processo de condução do Estado brasileiro, sendo que, historicamente, os governos que antecederam a direção do país serviram de máquina a serviço do capital multinacional e transnacional.
Fica claro, também, que apesar dos avanços do país na economia externa, pouco de fez para minimizar os problemas sociais do país, criados pelo avanço do neoliberalismo. Cabe, dessa forma, uma reestruturação nas bases políticas do país para minimizar os problemas. Para tanto faz-se necessário um trabalho de politização da massa, que, deveras, pela forte influência neoliberal existente no país, só será possível a médio/longo prazo.
Resenha: TRATADO DA TERRA BRASIL
GÂNDAVO, Pero de Magalhães. Tratado da Terra do Brasil: História da Província Santa Cruz. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 1980.
Gravura de Théodore de Bry. http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03c.htm. Acesso em 22/06/2006.
1 OS RELATOS DOS VIAJANTES ESTRANGEIROS ENQUANTO FONTE HISTÓRICA
É muito interessante e intrigante analisar os relatos dos viajantes estrangeiros sobre o Brasil, principalmente para a produção da historiografia e a escrita da História do Brasil. Eles contêm dados extremamente importantes sobre uma determinada época, além de demonstrar como viviam as pessoas que aqui moravam e a visão dos europeus sobre este modo de vida.
Quando nos deparamos com eles, vimos que existe uma diversidade muito grande, ou seja, que cada um descreve ou representa através de pinturas e gravuras aquilo que viu e de acordo com os seus próprios interesses. Uns descreviam sobre a natureza, outros sobre a economia local, e, como se comportavam as pessoas que aqui moravam.
É claro, cada um com sua visão, mas por trás de tudo havia a teoria do Eurocentrismo, ou seja, a Europa como centro de tudo. Durante os vários anos que se passaram desde o “descobrimento” do Brasil até o século XIX, muitos destes viajantes vieram ao Brasil. Estes viajantes eram patrocinados pelos governantes europeus ou por classes abastadas da burguesia, portanto vinham em viagens oficiais.
Os principais viajantes que aqui chegaram, dentre eles portugueses, franceses, holandeses, ingleses, espanhóis, entre outros, vão descrever que aqui era uma terra farta, onde tudo que se plantasse dava, que seus rios eram ricos em peixes, suas florestas fartas em espécies animais e vegetais, mas que aqui, tudo e todos eram incivilizados, que não haviam cidades, nem indústrias, que não havia desenvolvimento e que nem poderia algo prosperar se não houvesse a interferência de seus países de origem.
Esta visão de inferioridade da qual eles se valiam e tentavam justificar suas pesquisas sobre a população nativa, principalmente, é o que chamamos Eurocentrismo, ou seja, a Europa como centro, como se só eles fossem civilizados, como se só eles tivessem a religião verdadeira, leia-se o Cristianismo, como se só eles tivessem um alto grau de desenvolvimento.
Eles não levavam em consideração que o que aqui era produzido, a natureza, a cultura, a forma de se organizar em sociedade eram diferentes da realidade deles próprios e que tudo aqui era muito diferente, a vida aqui no Brasil era diferenciada da que eles levavam na Europa.
Estes viajantes deveriam analisar a forma como aqui viviam as pessoas, sua cultura e tradições, sem levar em conta a teoria Eurocêntrica.
Ao analisarmos estas fontes, estes relatos, devemos sempre estar atentos a época em que foram escritos, de que assuntos tratavam, por quem foram escritos, quais as intenções em que foram escritos ou produzidos, para quem foram escritos, o que dizia a teoria eurocêntrica sobre os outros povos, para que não incorramos em erros e não apenas reproduzimos as fontes deixadas por estes viajantes ao produzir a historiografia brasileira.
Devemos tomar cuidados para não incorrermos em erros e pensarmos como os viajantes estrangeiros, a luz do Eurocentrismo, que os nossos habitantes, até séculos passados eram inferiores ou mesmo que não produziam ou não tinham cultura.
Não devemos também ser anacrônicos e nem etnocêntricos ao analisarmos as épocas passadas ou diferentes formas de se expressar culturalmente dos outros povos.
1.1 REPRESENTAÇÃO E DISCURSO NOS RELATOS DOS VIAJANTES ESTRANGEIROS
Os relatos dos viajantes estrangeiros sobre o Brasil faziam parte da tradição européia das viagens naquele determinado momento histórico. Essas visões e discursos e narrativas dos viajantes foram transformados em relatos, que são fontes para a pesquisa e para a produção historiográfica. Esses relatos são, na realidade, narrativas não preocupadas em elaborar teorias, textos científicos. O descobrimento e a conquista de novos territórios trouxeram uma nova necessidade para os europeus, que era conhecer o que era desconhecido. Portanto, o Brasil recebeu inúmeros viajantes, porque possuía uma natureza exuberante, além de potencial econômico e necessidade de ser conhecido.
Mas, na realidade, por que estes viajantes saem da Europa, terra tão longínqua, para estudar e descrever estes territórios? A resposta, na realidade, é que para os viajantes estrangeiros europeus, viajar trazia a possibilidade de riqueza e status. Era uma possibilidade de ascensão a uma nova condição social. Na realidade esses viajantes já faziam parte de uma elite européia.
Os viajantes europeus já citados buscavam informações sobre o novo mundo além mar e consideravam a Europa “o centro do mundo” e possuidores de uma “cultura superior”. Os viajantes estrangeiros construíram seus relatos com base no olhar e na sua cultura. A visão destes viajantes é feita por partes, ou seja, fragmentada. Cada viajante observa um aspecto, tendo sempre a Europa como base para seus relatos. Estes relatos podem e devem ser utilizados pelos historiadores nas suas pesquisas e produções. Porém, tais relatos, enquanto fontes e textos para a produção historiográfica e da história do Brasil, não devem ser encarados como neutros, porque trazem a Europa como referência, imparciais e inquestionáveis, bem como suficientes para explicar uma realidade histórica. É necessário analisar, refletir, contextualizar as representações e os discursos contidos nos relatos dos viajantes estrangeiros sobre o Brasil.
Um destes viajantes estrangeiros, Pero de Magalhães Gândavo e o gravador Théodore de Bry, além de outros, são muito especiais para a produção historiográfica brasileira, pois eles produzem textos e imagens sobre os rituais de antropofagia, realizado por alguns grupos de indígenas brasileiros.
Pero de Magalhães Gândavo, historiador e cronista português, “é o autor da primeira história do Brasil”[1]. Veio para o Brasil, e permaneceu de 1565 a 1570, visitando outras regiões do país, e escreve vários tratados sobre nossa história, dentre eles História da Província de Santa Cruz, que publica em 1576.
Como “bom” europeu descreve sobre vários assuntos, mas o texto mais intrigante é sobre o ritual de antropofagia realizado pelas “tribos” de nativos Tupinambás, Aimorés e Tapuyas, o que causou-lhe uma má impressão sobre o aprisionamento de guerreiros e o ritual antropofágico realizado por esses povos.
Os relatos demonstram que os indígenas tratavam muito bem seus prisioneiros, com boa alimentação e mulheres, inclusive dando-lhes “a própria filha ou irmã em casamento”[2], satisfazendo todas as suas necessidades. As mulheres que são dadas ao guerreiro têm a função de cuidar do prisioneiro, durante todo tempo que o mesmo permanecer vivo na tribo.
Os rituais são realizados com toda pompa e grandeza, pois é uma forma de mostrar o respeito que se tem com o outro, sinal de alteridade. O sacrifício é realizado, em algumas vezes com data marcada e o guerreiro sabe do seu destino, mas não há tanta preocupação, pelo fato de que também já poderá ter realizado esse ritual anteriormente.
Um outro relato sobre os rituais de antropofagia é do calcógrafo, ourives e gravador flamengo, Théodore de Bry, que nunca esteve na Brasil, mas através dos relatos dos viajantes estrangeiros, principalmente de Hans Staden, soube retratar, conforme sua visão os povos indígenas do Brasil que realizavam rituais antropofágicos, principalmente os tupinambás, demonstrando toda sua concepção européia sobre o fato, assustando a todos aqueles que admiraram suas obras.
É uma verdadeira coleção “de narrativas de viagens que constitui a primeira tentativa, no século XVI, de apresentar à Europa, em grande escala, uma imagem visual do Novo Mundo. Esses relatos de viagens sempre despertaram apaixonado interesse”[3] aos europeus, que viam os outros povos como incivilizados, sem cultura, sem rei, sem lei e sem religião.
As imagens de Théodore de Bry são emblemáticas, com cenas de antropofagia, com o corpo dos guerreiros sendo cortado aos pedaços durante o ritual. O que se sabe é que as entranhas eram para as mulheres mais velhas e o cérebro para os guerreiros. As mulheres deveriam bater muito no prisioneiro e depois cuidar dele para o ritual antropofágico, que poderia levar dias, meses ou até vários anos para acontecer. A morte chega através de uma paulada na cabeça e a carne era cortada com lâminas de pedra, cortadores, machados, etc. durante o ritual, a parte interna era toda tirada e cozida e todos os membros da comunidade deveriam participar do ritual sagrado, em demonstração de respeito.
Vamos demonstrar através de algumas imagens e
Gravuras do holandês Theodore de Bry (1528-1598) retratando um ritual de canibalismo dos índios tupinambás. Era costume, entre vários povos indígenas, comer seus adversários; acreditavam que com isso o espírito guerreiro do inimigo se incorporava ao seu. O homem branco, que acompanha horrorizado a cena em que os índios comem pedaços de carne humana, seria o alemão Hans Staden, que, em 1554, foi feito prisioneiro pelos índios tupinambás no litoral de São Paulo.[4]
Esses povos realizavam a antropofagia porque acreditavam que, ao devorar um guerreiro, eles também ficariam fortes e valentes, assim como, ao comer parte de um sábio, iriam incorporar a sua sabedoria. Esse ritual poderia ser também por vingança contra um guerreiro de uma tribo inimiga ou mesmo contra um colonizador, que tinha vindo para tomar suas terras e suas mulheres.
Os europeus, com sua forma de encarar e ver o mundo, não souberam entender os povos que aqui eles encontraram e isso provocou o genocídio compreendido contra todos os nativos, restando poucos para contar, narrar e viver a sua própria história, mas isso já é uma outra história.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03a.htm. Acesso em 22/06/2006.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03b.htm. Acesso em 22/06/2006.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03c.htm. Acesso em 22/06/2006.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03d.htm. Acesso em 22/06/2006.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03e.htm. Acesso em 22/06/2006.
[1]http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/informativa/gandavo.htm. Acesso em 22/06/2006.
[2] CAMPOS, FLÁVIO; MIRANDA, Renan Garcia. A escrita da história: Ensino Médio. vol. ún. 1 ed. São Paulo: Escala Educacional, 2005. p. 170.
[3] http://www.ifcs.ufrj.br/~humanas/0036.htm. Acesso em 22/06/2006.
[4] http://www.abrale.com.br/artigos/001.htm. Acesso em 22/06/2006
Gravura de Théodore de Bry. http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03c.htm. Acesso em 22/06/2006.
1 OS RELATOS DOS VIAJANTES ESTRANGEIROS ENQUANTO FONTE HISTÓRICA
É muito interessante e intrigante analisar os relatos dos viajantes estrangeiros sobre o Brasil, principalmente para a produção da historiografia e a escrita da História do Brasil. Eles contêm dados extremamente importantes sobre uma determinada época, além de demonstrar como viviam as pessoas que aqui moravam e a visão dos europeus sobre este modo de vida.
Quando nos deparamos com eles, vimos que existe uma diversidade muito grande, ou seja, que cada um descreve ou representa através de pinturas e gravuras aquilo que viu e de acordo com os seus próprios interesses. Uns descreviam sobre a natureza, outros sobre a economia local, e, como se comportavam as pessoas que aqui moravam.
É claro, cada um com sua visão, mas por trás de tudo havia a teoria do Eurocentrismo, ou seja, a Europa como centro de tudo. Durante os vários anos que se passaram desde o “descobrimento” do Brasil até o século XIX, muitos destes viajantes vieram ao Brasil. Estes viajantes eram patrocinados pelos governantes europeus ou por classes abastadas da burguesia, portanto vinham em viagens oficiais.
Os principais viajantes que aqui chegaram, dentre eles portugueses, franceses, holandeses, ingleses, espanhóis, entre outros, vão descrever que aqui era uma terra farta, onde tudo que se plantasse dava, que seus rios eram ricos em peixes, suas florestas fartas em espécies animais e vegetais, mas que aqui, tudo e todos eram incivilizados, que não haviam cidades, nem indústrias, que não havia desenvolvimento e que nem poderia algo prosperar se não houvesse a interferência de seus países de origem.
Esta visão de inferioridade da qual eles se valiam e tentavam justificar suas pesquisas sobre a população nativa, principalmente, é o que chamamos Eurocentrismo, ou seja, a Europa como centro, como se só eles fossem civilizados, como se só eles tivessem a religião verdadeira, leia-se o Cristianismo, como se só eles tivessem um alto grau de desenvolvimento.
Eles não levavam em consideração que o que aqui era produzido, a natureza, a cultura, a forma de se organizar em sociedade eram diferentes da realidade deles próprios e que tudo aqui era muito diferente, a vida aqui no Brasil era diferenciada da que eles levavam na Europa.
Estes viajantes deveriam analisar a forma como aqui viviam as pessoas, sua cultura e tradições, sem levar em conta a teoria Eurocêntrica.
Ao analisarmos estas fontes, estes relatos, devemos sempre estar atentos a época em que foram escritos, de que assuntos tratavam, por quem foram escritos, quais as intenções em que foram escritos ou produzidos, para quem foram escritos, o que dizia a teoria eurocêntrica sobre os outros povos, para que não incorramos em erros e não apenas reproduzimos as fontes deixadas por estes viajantes ao produzir a historiografia brasileira.
Devemos tomar cuidados para não incorrermos em erros e pensarmos como os viajantes estrangeiros, a luz do Eurocentrismo, que os nossos habitantes, até séculos passados eram inferiores ou mesmo que não produziam ou não tinham cultura.
Não devemos também ser anacrônicos e nem etnocêntricos ao analisarmos as épocas passadas ou diferentes formas de se expressar culturalmente dos outros povos.
1.1 REPRESENTAÇÃO E DISCURSO NOS RELATOS DOS VIAJANTES ESTRANGEIROS
Os relatos dos viajantes estrangeiros sobre o Brasil faziam parte da tradição européia das viagens naquele determinado momento histórico. Essas visões e discursos e narrativas dos viajantes foram transformados em relatos, que são fontes para a pesquisa e para a produção historiográfica. Esses relatos são, na realidade, narrativas não preocupadas em elaborar teorias, textos científicos. O descobrimento e a conquista de novos territórios trouxeram uma nova necessidade para os europeus, que era conhecer o que era desconhecido. Portanto, o Brasil recebeu inúmeros viajantes, porque possuía uma natureza exuberante, além de potencial econômico e necessidade de ser conhecido.
Mas, na realidade, por que estes viajantes saem da Europa, terra tão longínqua, para estudar e descrever estes territórios? A resposta, na realidade, é que para os viajantes estrangeiros europeus, viajar trazia a possibilidade de riqueza e status. Era uma possibilidade de ascensão a uma nova condição social. Na realidade esses viajantes já faziam parte de uma elite européia.
Os viajantes europeus já citados buscavam informações sobre o novo mundo além mar e consideravam a Europa “o centro do mundo” e possuidores de uma “cultura superior”. Os viajantes estrangeiros construíram seus relatos com base no olhar e na sua cultura. A visão destes viajantes é feita por partes, ou seja, fragmentada. Cada viajante observa um aspecto, tendo sempre a Europa como base para seus relatos. Estes relatos podem e devem ser utilizados pelos historiadores nas suas pesquisas e produções. Porém, tais relatos, enquanto fontes e textos para a produção historiográfica e da história do Brasil, não devem ser encarados como neutros, porque trazem a Europa como referência, imparciais e inquestionáveis, bem como suficientes para explicar uma realidade histórica. É necessário analisar, refletir, contextualizar as representações e os discursos contidos nos relatos dos viajantes estrangeiros sobre o Brasil.
Um destes viajantes estrangeiros, Pero de Magalhães Gândavo e o gravador Théodore de Bry, além de outros, são muito especiais para a produção historiográfica brasileira, pois eles produzem textos e imagens sobre os rituais de antropofagia, realizado por alguns grupos de indígenas brasileiros.
Pero de Magalhães Gândavo, historiador e cronista português, “é o autor da primeira história do Brasil”[1]. Veio para o Brasil, e permaneceu de 1565 a 1570, visitando outras regiões do país, e escreve vários tratados sobre nossa história, dentre eles História da Província de Santa Cruz, que publica em 1576.
Como “bom” europeu descreve sobre vários assuntos, mas o texto mais intrigante é sobre o ritual de antropofagia realizado pelas “tribos” de nativos Tupinambás, Aimorés e Tapuyas, o que causou-lhe uma má impressão sobre o aprisionamento de guerreiros e o ritual antropofágico realizado por esses povos.
Os relatos demonstram que os indígenas tratavam muito bem seus prisioneiros, com boa alimentação e mulheres, inclusive dando-lhes “a própria filha ou irmã em casamento”[2], satisfazendo todas as suas necessidades. As mulheres que são dadas ao guerreiro têm a função de cuidar do prisioneiro, durante todo tempo que o mesmo permanecer vivo na tribo.
Os rituais são realizados com toda pompa e grandeza, pois é uma forma de mostrar o respeito que se tem com o outro, sinal de alteridade. O sacrifício é realizado, em algumas vezes com data marcada e o guerreiro sabe do seu destino, mas não há tanta preocupação, pelo fato de que também já poderá ter realizado esse ritual anteriormente.
Um outro relato sobre os rituais de antropofagia é do calcógrafo, ourives e gravador flamengo, Théodore de Bry, que nunca esteve na Brasil, mas através dos relatos dos viajantes estrangeiros, principalmente de Hans Staden, soube retratar, conforme sua visão os povos indígenas do Brasil que realizavam rituais antropofágicos, principalmente os tupinambás, demonstrando toda sua concepção européia sobre o fato, assustando a todos aqueles que admiraram suas obras.
É uma verdadeira coleção “de narrativas de viagens que constitui a primeira tentativa, no século XVI, de apresentar à Europa, em grande escala, uma imagem visual do Novo Mundo. Esses relatos de viagens sempre despertaram apaixonado interesse”[3] aos europeus, que viam os outros povos como incivilizados, sem cultura, sem rei, sem lei e sem religião.
As imagens de Théodore de Bry são emblemáticas, com cenas de antropofagia, com o corpo dos guerreiros sendo cortado aos pedaços durante o ritual. O que se sabe é que as entranhas eram para as mulheres mais velhas e o cérebro para os guerreiros. As mulheres deveriam bater muito no prisioneiro e depois cuidar dele para o ritual antropofágico, que poderia levar dias, meses ou até vários anos para acontecer. A morte chega através de uma paulada na cabeça e a carne era cortada com lâminas de pedra, cortadores, machados, etc. durante o ritual, a parte interna era toda tirada e cozida e todos os membros da comunidade deveriam participar do ritual sagrado, em demonstração de respeito.
Vamos demonstrar através de algumas imagens e
Gravuras do holandês Theodore de Bry (1528-1598) retratando um ritual de canibalismo dos índios tupinambás. Era costume, entre vários povos indígenas, comer seus adversários; acreditavam que com isso o espírito guerreiro do inimigo se incorporava ao seu. O homem branco, que acompanha horrorizado a cena em que os índios comem pedaços de carne humana, seria o alemão Hans Staden, que, em 1554, foi feito prisioneiro pelos índios tupinambás no litoral de São Paulo.[4]
Esses povos realizavam a antropofagia porque acreditavam que, ao devorar um guerreiro, eles também ficariam fortes e valentes, assim como, ao comer parte de um sábio, iriam incorporar a sua sabedoria. Esse ritual poderia ser também por vingança contra um guerreiro de uma tribo inimiga ou mesmo contra um colonizador, que tinha vindo para tomar suas terras e suas mulheres.
Os europeus, com sua forma de encarar e ver o mundo, não souberam entender os povos que aqui eles encontraram e isso provocou o genocídio compreendido contra todos os nativos, restando poucos para contar, narrar e viver a sua própria história, mas isso já é uma outra história.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03a.htm. Acesso em 22/06/2006.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03b.htm. Acesso em 22/06/2006.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03c.htm. Acesso em 22/06/2006.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03d.htm. Acesso em 22/06/2006.
http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/nuh/enuheckbry03e.htm. Acesso em 22/06/2006.
[1]http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/informativa/gandavo.htm. Acesso em 22/06/2006.
[2] CAMPOS, FLÁVIO; MIRANDA, Renan Garcia. A escrita da história: Ensino Médio. vol. ún. 1 ed. São Paulo: Escala Educacional, 2005. p. 170.
[3] http://www.ifcs.ufrj.br/~humanas/0036.htm. Acesso em 22/06/2006.
[4] http://www.abrale.com.br/artigos/001.htm. Acesso em 22/06/2006
JORNALISMO: LIBERDADE DE TODOS OU PODER ÀS CLASSES DOMINANTES?
Primeiramente precisamos discutir o que é o jornalismo e qual sua influência na vida das pessoas?
Diariamente ouvimos esta discussão, principalmente entre as pessoas mais “esclarecidas”, mais críticas, pois afinal de contas, todas as formas de “media” que fazem parte da nossa vida, estão nos influenciando dia-a-dia.
Podemos dizer que o jornalismo mostra a realidade, principalmente para quem escreve, ou ainda, na visão do comentarista. Mas será que realmente podemos confiar que tudo aquilo que passa nos jornais ou é escrito em revistas é a pura verdade. Será que não é apenas uma parte da verdade sob o olhar de quem está narrando? Com certeza, o jornalismo não mostra a realidade, mas apenas retalhos, onde a curiosidade é a tônica.
Para os profissionais da área, com certeza, o jornalismo trata da realidade ou é simplesmente a realidade.
Podemos dizer que o jornal é uma forma de transmissão de conhecimento, pois comunica através de um fato ocorrido, de uma pesquisa.
Mas, afinal de contas, o que é o jornalismo?
Para TRAQUINA (2004) “o jornalismo é a vida, tal como é contada nas notícias de nascimentos e mortes, tal como o nascimento do primeiro filho de uma cantora famosa ou a morte de um sociólogo conhecido mundialmente. É a vida em todas as suas dimensões”. Com esta afirmação fico me perguntando: o que muda a minha vida com o nascimento do filho de alguém famoso? Quais interferências minha vida pode ter a partir desta informação? Por outro lado, a notícia da morte de um cientista famoso, com certeza pode mudar a minha vida, até pelo fato de que esta pessoa pode ter influenciado a vida de milhares de pessoas com suas pesquisas, seus estudos e argumentos.
Os vários jornais diários contam a vida dividida em pequenas partes, “em seções” influenciando-nos de forma mais intensa do que podemos imaginar. Aquilo que o jornalismo moderno vende como notícia, não é apenas ficção, ou seja, “os acontecimentos ou personagens das notícias não são invenção dos jornalistas”. A forma como os fatos ou acontecimentos são narrados é que podem sofrer alterações de acordo com o sentimento e o sentido que o profissional quer dar. Tudo que nos rodeia pode ser elemento para a notícia jornalística; vivemos procurando no nosso dia-a-adia, ao nosso redor as informações necessárias, através do jornalismo. O jornalismo contribui pra a formação da nossa personalidade, pois é “uma atividade intelectual”. O jornalismo tem a função de informar o público, sem sofrer nenhuma censura, desde que esteja cumprindo a missão de informar e não somente dar opinião.
Concordamos com o fato de que o jornalismo pode ser “essencial para a troca de idéias e opiniões”, desde que ele forneça as informações para que a comunidade em geral faça a sua própria leitura e não apenas aceite como a mais fiel verdade e/ou realidade.
Isto pode ser muito interessante, desde que possamos discutir a luz da razão se o “jornalismo é um ‘contra-poder’ ou um ‘poder’ a serviço dos ‘poderosos”.
Se o jornalismo estiver a serviço dos interesses da classe dominante, das elites, do mundo neoliberal, com certeza estará manipulando a sociedade em geral, estará enganando e logrando. Dessa forma poderíamos dizer que estaria a serviço dos poderosos, ajudando a manter a estrutura que oprime e domina as pessoas menos informadas ou esclarecidas. Com certeza este tipo de jornalismo seria “apenas um espaço fechado de reprodução ideológica do sistema dominante”.
Mas, também, o jornalismo pode ser um “contra-poder”, ou seja servir como meio para que as classes dominadas, os grupos minoritários, as mulheres, os índios, os negros, grupos religiosos discriminados, homossexuais, e outros, possam dar seu grito de liberdade, sem nenhum tipo de manipulação, apenas servindo como instrumento de informação e de esclarecimento.
Acreditamos que assim, este tipo de jornalismo, será um “espaço aberto a todos os agentes sociais na luta política e social”, sendo instrumento da liberdade incondicional. Concordaríamos com Antonio Gramsci, de que assim o jornalismo seria aceito pela grande maioria, desenvolvendo um projeto social.
Aqui cabe ressaltar se o jornalista é livre ou está condicionado às idéias de grupos dominantes. Gostaríamos de acreditar que o jornalismo é livre e que escreve aquilo que seria de interesse da maior parte da sociedade.
Podemos também dizer que com a liberdade e a troca de idéias, o jornalismo, além de ter a função de informar o cidadão, também funciona como guardião do governo. Não estaria com certeza, desta forma, a serviço de apenas um grupo dominante, o grupo político.
O campo jornalístico pode e deve ser usado como um recurso para que as classes menos privilegiadas e os agentes de transformação social ofereçam “vozes alternativas” para a transformação da sociedade, numa sociedade mais justa, fraterna e igualitária, ou que pelo menos seja menos brutal a diferença entre os que detêm o poder e aqueles que são meramente dependentes.
Mesmo condicionados, o trabalho jornalístico tem o poder de contribuir e de construir as notícias, “na construção da realidade”, agindo como guardião dos interesses da maioria, como serviço público, defendendo os cidadãos de quaisquer formas de abuso do poder dominante.
Não gostaríamos de tratar o jornalismo apenas como um negócio e as notícias meramente mercadorias. Queremos tratar o jornalismo como fonte de conhecimento, que busca os acontecimentos e trás a luz da razão para todos aqueles que porventura debruçam-se sobre as notícias e leituras de outros tipos de ‘media’ buscando formas de vencer e buscando alternativas e soluções para os problemas encontrados na transformação social.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MARCONDES FILHOS, C. A saga dos cães perdidos. 2 ed. são Paulo: Hacker., 2002.
ZANCHETTA JÚNIOR, J. Imprensa escrita e telejornal. São Paulo: Unesp, 2004.
TRAQUINA, N. Teorias do jornalismo: porque as notícias são como são. vol. 1. Florianópolis: Insular, 2004.
MOUILLAD, M; PORTO, S. D. O jornal: da forma ao sentido. 2 ed. Brasília: editora da Universidade de Brasília, 2002.
SOUZA, J. P. Teorias da notícias e do jornalismo. Chapecó: Argos, 2002.
Diariamente ouvimos esta discussão, principalmente entre as pessoas mais “esclarecidas”, mais críticas, pois afinal de contas, todas as formas de “media” que fazem parte da nossa vida, estão nos influenciando dia-a-dia.
Podemos dizer que o jornalismo mostra a realidade, principalmente para quem escreve, ou ainda, na visão do comentarista. Mas será que realmente podemos confiar que tudo aquilo que passa nos jornais ou é escrito em revistas é a pura verdade. Será que não é apenas uma parte da verdade sob o olhar de quem está narrando? Com certeza, o jornalismo não mostra a realidade, mas apenas retalhos, onde a curiosidade é a tônica.
Para os profissionais da área, com certeza, o jornalismo trata da realidade ou é simplesmente a realidade.
Podemos dizer que o jornal é uma forma de transmissão de conhecimento, pois comunica através de um fato ocorrido, de uma pesquisa.
Mas, afinal de contas, o que é o jornalismo?
Para TRAQUINA (2004) “o jornalismo é a vida, tal como é contada nas notícias de nascimentos e mortes, tal como o nascimento do primeiro filho de uma cantora famosa ou a morte de um sociólogo conhecido mundialmente. É a vida em todas as suas dimensões”. Com esta afirmação fico me perguntando: o que muda a minha vida com o nascimento do filho de alguém famoso? Quais interferências minha vida pode ter a partir desta informação? Por outro lado, a notícia da morte de um cientista famoso, com certeza pode mudar a minha vida, até pelo fato de que esta pessoa pode ter influenciado a vida de milhares de pessoas com suas pesquisas, seus estudos e argumentos.
Os vários jornais diários contam a vida dividida em pequenas partes, “em seções” influenciando-nos de forma mais intensa do que podemos imaginar. Aquilo que o jornalismo moderno vende como notícia, não é apenas ficção, ou seja, “os acontecimentos ou personagens das notícias não são invenção dos jornalistas”. A forma como os fatos ou acontecimentos são narrados é que podem sofrer alterações de acordo com o sentimento e o sentido que o profissional quer dar. Tudo que nos rodeia pode ser elemento para a notícia jornalística; vivemos procurando no nosso dia-a-adia, ao nosso redor as informações necessárias, através do jornalismo. O jornalismo contribui pra a formação da nossa personalidade, pois é “uma atividade intelectual”. O jornalismo tem a função de informar o público, sem sofrer nenhuma censura, desde que esteja cumprindo a missão de informar e não somente dar opinião.
Concordamos com o fato de que o jornalismo pode ser “essencial para a troca de idéias e opiniões”, desde que ele forneça as informações para que a comunidade em geral faça a sua própria leitura e não apenas aceite como a mais fiel verdade e/ou realidade.
Isto pode ser muito interessante, desde que possamos discutir a luz da razão se o “jornalismo é um ‘contra-poder’ ou um ‘poder’ a serviço dos ‘poderosos”.
Se o jornalismo estiver a serviço dos interesses da classe dominante, das elites, do mundo neoliberal, com certeza estará manipulando a sociedade em geral, estará enganando e logrando. Dessa forma poderíamos dizer que estaria a serviço dos poderosos, ajudando a manter a estrutura que oprime e domina as pessoas menos informadas ou esclarecidas. Com certeza este tipo de jornalismo seria “apenas um espaço fechado de reprodução ideológica do sistema dominante”.
Mas, também, o jornalismo pode ser um “contra-poder”, ou seja servir como meio para que as classes dominadas, os grupos minoritários, as mulheres, os índios, os negros, grupos religiosos discriminados, homossexuais, e outros, possam dar seu grito de liberdade, sem nenhum tipo de manipulação, apenas servindo como instrumento de informação e de esclarecimento.
Acreditamos que assim, este tipo de jornalismo, será um “espaço aberto a todos os agentes sociais na luta política e social”, sendo instrumento da liberdade incondicional. Concordaríamos com Antonio Gramsci, de que assim o jornalismo seria aceito pela grande maioria, desenvolvendo um projeto social.
Aqui cabe ressaltar se o jornalista é livre ou está condicionado às idéias de grupos dominantes. Gostaríamos de acreditar que o jornalismo é livre e que escreve aquilo que seria de interesse da maior parte da sociedade.
Podemos também dizer que com a liberdade e a troca de idéias, o jornalismo, além de ter a função de informar o cidadão, também funciona como guardião do governo. Não estaria com certeza, desta forma, a serviço de apenas um grupo dominante, o grupo político.
O campo jornalístico pode e deve ser usado como um recurso para que as classes menos privilegiadas e os agentes de transformação social ofereçam “vozes alternativas” para a transformação da sociedade, numa sociedade mais justa, fraterna e igualitária, ou que pelo menos seja menos brutal a diferença entre os que detêm o poder e aqueles que são meramente dependentes.
Mesmo condicionados, o trabalho jornalístico tem o poder de contribuir e de construir as notícias, “na construção da realidade”, agindo como guardião dos interesses da maioria, como serviço público, defendendo os cidadãos de quaisquer formas de abuso do poder dominante.
Não gostaríamos de tratar o jornalismo apenas como um negócio e as notícias meramente mercadorias. Queremos tratar o jornalismo como fonte de conhecimento, que busca os acontecimentos e trás a luz da razão para todos aqueles que porventura debruçam-se sobre as notícias e leituras de outros tipos de ‘media’ buscando formas de vencer e buscando alternativas e soluções para os problemas encontrados na transformação social.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MARCONDES FILHOS, C. A saga dos cães perdidos. 2 ed. são Paulo: Hacker., 2002.
ZANCHETTA JÚNIOR, J. Imprensa escrita e telejornal. São Paulo: Unesp, 2004.
TRAQUINA, N. Teorias do jornalismo: porque as notícias são como são. vol. 1. Florianópolis: Insular, 2004.
MOUILLAD, M; PORTO, S. D. O jornal: da forma ao sentido. 2 ed. Brasília: editora da Universidade de Brasília, 2002.
SOUZA, J. P. Teorias da notícias e do jornalismo. Chapecó: Argos, 2002.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Resenha: O melhor de Peter Drucker
DRUCKER, Peter. O Melhor de Peter Drucker : A sociedade. In: Revista Exame. São Paulo: Editora Abril, 2001. p. 75-185.
A verdade na História sempre foi assunto de grandes discussões historiográficas, sendo estas bastantes acentuadas com a formação da Escola dos Annalles, a qual deu um novo impulso na pesquisa em história, já que antes disso estava limitada apenas à narrativa histórica através de documentos produzidos pelo governo, também conhecidos como documentos oficiais, muito utilizados pela História Tradicional ou Positivista. Para os positivistas as fontes falavam por si, ou seja, eram detentoras da verdade incontestável. Contudo, foi com Jacques Revel da Terceira Geração dos Annalles que se efetuou a questão da verdade Histórica, já que para ele a verdade é inventada à medida que o homem inventa a sociedade, o que leva a reinvenção da História, a partir dos recortes dados pelo historiador em sua análise, também conhecido como a história em migalhas. Entretanto, a junção dos vários campos da história (política, econômica, cultural, social, etc) deu origem à chamada História Social, ou seja, como disse Jacques Revel “uma História que só existe enquanto construída pelo historiador (...) a partir das necessidades pela convivência cotidiana, por mais que se queira compreender a sociedade do ponto de vista do seu movimento e vida própria, é o homem quem inventa e reinventa”[1].
Portanto, podemos construir uma história que ao final se desconstrói, pois a história é desconstrução, dependendo do meio, da ética, enfim, das possíveis mudanças que a sociedade possa sofrer, como também do tipo de padrão adotado por determinada sociedade, principalmente no pós-guerra, onde a sociedade tornou-se múltipla assim como a história que foi analisada com várias especificidades, chamada também de interdisciplinar, onde o historiador também “era um pouco geógrafo, economista, demógrafo, antropólogo, lingüista, naturalista e até mesmo turismólogo”[2], ou seja, a aliança com outras áreas de conhecimento levou a história à extrema fragmentação. Contudo, não é o fator econômico que determina a história, mas as manifestações culturais, pois coloca o homem como seu objeto de estudo. Sendo assim, não houve uma ruptura, mas apenas uma manutenção de certos pensamentos, fazendo com que permanecesse a mentalidade de um grupo, que possivelmente determina os rumos da sociedade. Entretanto, Roger Chartier trabalha com a história da ciência voltado para a história das representações, onde as pesquisas são realizadas a longo prazo, serial tendo como objeto de estudo “as estruturas e os mecanismos que regulam, fora de qualquer controle subjetivo, as relações sociais, e sim as racionalidades e as estratégias pelas comunidades, as parentelas, as famílias, os indivíduos”[3], isto é, a história a longo prazo das representações coletivas, dando ênfase a forma como os indivíduos “produzem o mundo social”[4], onde estão inseridos.
Esta proposta é estudada também por Peter Drucker (2001), quando analisa as necessidades sociais que surgem no mundo atual, principalmente pós-Segunda Guerra Mundial, quando a “caridade, ajuda ao próximo, desamparados, vítimas”[5], cresceu de forma assustadora. Segundo este autor, “as massas de refugiados em todo o mundo, vítimas de guerras e levantes sociais, de perseguições raciais, étnicas, políticas e religiosas, da incompetência e crueldade dos governos”[6], aumentou violentamente e por isso novas levas de pessoas que atuam em “serviços sociais (...) procuram mudar as pessoas e exercer um efeito significativo na comunidade”[7].
O autor afirma que esses serviços crescerão muito mais, pois, “o rápido aumento no número de idosos em todos os países desenvolvidos”[8], gera essa necessidade, graças aos serviços prestados pela assistência médica e saúde.
Vão surgindo ao longo dos anos o que o autor chama de “terceiro setor” que são “órgãos independentes sem fins lucrativos”[9], que tiveram ótimos resultados principalmente através de órgãos ligados a movimentos religiosos.
Essas organizações comunitárias autônomas que surgem no setor social formam “um novo centro de cidadania representativa”[10]. Como o Megaestado praticamente destruiu o que chamamos ou conhecemos como cidadania, precisa agora ser restaurado, e, isto se dá através do terceiro setor auxiliado pelo “setor privado das empresas, e o setor público, do governo”[11]. Esta forma de organização do Estado precisa de um setor social autônomo, para conduzir a comunidade, pois, “sem cidadania não pode existir o compromisso que cria o cidadão e que, consolida o Estado”[12]. Este “Estado pós-capitalista precisa recriar a cidadania, restaurar a comunidade, criando um vínculo voluntário, um elo de afeição, união, respeito mútuo”[13], que fora deixado de lado pelo individualismo, consumismo e imediatismo. Estas ligações se fazem necessárias principalmente para os jovens e isto só é possível através de uma instituição criada pela burguesia revolucionária do século XVIII, a família, principalmente nas grandes cidades.
Como no mundo atual a mobilidade geográfica e ocupacional é muito grande, pela busca das melhores regiões e emprego, precisamos ter sempre uma base para o retorno, colocando a família em primeiro lugar. Essa mobilidade faz com que as pessoas ao mudarem de lugar passem a fazer parte de uma nova classe e cultura, diferente da que nasceram. Para tanto, todos precisam estar organizados e esta organização baseia-se principalmente na responsabilidade.
Segundo Peter Drucker, “o setor social é uma das áreas em que essa necessidade pode ser satisfeita”[14], onde os indivíduos com responsabilidade podem participar e contribuir.
Hoje, as empresas que se tornaram o maior empregador dos Estados Unidos da América, são aquelas sem fins lucrativos, que contam com esses voluntários que agora “não são mais ‘ajudantes’; eles tornaram-se ‘parceiros”[15], realizando um trabalho social e comunitário, que faz com que as pessoas sintam-se úteis para os outros.
Isto demonstra que a comunidade que fora considerado como um fado, “no estado e na sociedade pós-capitalista deve se tornar um compromisso”[16], na forma de ajuda, assumindo o papel que o Estado deveria fazer, tal como promover educação, saúde, segurança, bem-estar-social..
Sobre a expansão econômica, o autor considera que nos últimos vinte anos, foi muito rápida, mesmo não havendo mudanças estruturais, demonstrando que “a geografia econômica do mundo muito pouco foi modificada”[17] e que “o Brasil, pelo menos na região Sul, pode estar dando os primeiros passos nessa direção, mas ainda não chegou lá”[18], principalmente quando se fala em potências industriais, considerando que praticamente todas as grandes invenções já “existiam em 1913”[19].
Acreditamos que o século XX produziu noventa por cento de tudo que o homem considera de avanço tecnológico em todos os tempos da história. É claro, que nada vem do nada, apenas aperfeiçoam-se pesquisas que outrora foram elaboradas. Não podemos concordar com Peter Drucker, quando ele descreve que a grande maioria das invenções tecnológicas que o homem conheceu no século XX tenham sido produzidas somente no século XIX. Isto seria acreditar piamente no que os homens do século XIX falaram e escreveram, de que o homem do século XX não teria mais nada para inventar, pois, já haviam criado tudo o que era possível.
Sabemos que “a explosão populacional’ não causou, até o momento fomes e pestes em larga escala”[20], como previa Thomas Malthus e que a produção de alimentos seria insuficiente para todos, gerando catástrofes técnicoeconômicas.
Sentimo-nos, portanto, muito à vontade para discordar do autor de que, "As grandes realizações econômicas da atualidade, as economias opulentas de consumo em massa dos países desenvolvidos, sua produtividade e suas habilidades tecnológicas, estão solidamente construídas sobre alicerces vitorianos e da época de Eduardo VII e com matéria-prima daquela época", (DRUCKER, 2001. p. 86), pois, nossa análise é de que o homem do século XX produziu toda a tecnologia necessária para sua existência, bem como para sua autodestruição.
As mudanças econômicas mundiais, segundo Peter Drucker (2001) ocorreram de três formas fundamentais, primeiramente baseadas no desatrelamento da economia industrial dos produtos primários, onde “a produção agrícola no mundo aumentou”[21], de qualquer forma, a queda dos preços de matérias-primas não significou “quase nenhum impacto na economia industrial do mundo”[22], mas mesmo assim, “os EUA vêm considerando a abertura dos mercados para seus produtos agrícolas e suas matérias-primas como essencial para sua política comercial internacional”[23]. Mais uma vez a matéria-prima é colocada como mais importante que o produto industrializado.
Também percebemos que neste tipo de economia industrial, a produção desatrelou-se do emprego, ou seja, a força de trabalho não é mais tão necessária quanto fora em anos anteriores, pois, “os custos de mão-de-obra representam cada vez menos uma vantagem no comércio internacional”[24], até porque, “a escolha entre uma política industrial favorável à produção e outra ao emprego será uma questão política singularmente controversa durante o restante deste século, onde infelizmente, em nosso entender, sobram os pobres.
Outro ponto importante é que “os fluxos de capital e não o comércio de bens e serviços tornaram-se o instrumento e a força motriz da economia mundial”[25], não estando mais ligadas uma a outra, afastando-se cada vez mais. O capital volátil passa a ter cada vez mais valor que os serviços prestados pelos mais diversos profissionais nas mais diferentes partes do mundo.
Drucker (2001) além de analisar a economia e a política mundial, também faz uma análise profunda sobre o conhecimento destinado à educação, onde diz que as várias áreas de conhecimento estão se transformando muito rápido e de forma contínua, buscando sempre se adequar ao tempo presente e de forma interdisciplinar, o que acarreta muita “responsabilidade para os homens de conhecimento”[26], ou seja, para ele estes homens de conhecimento precisam estar sempre prontos às possíveis mudanças que o mundo vem sofrendo, tanto tecnológico quanto intelectual, e que não devem estar separados, já que a tecnologia invadiu o mundo do intelecto, buscando aliar-se ao campo científico, tecnológico e educacional, visando aplicá-los de forma conjunta no meio acadêmico, para que assim chegue até as salas de aula no intuito de inserir a escola nesta revolução científica e tecnológica que vem tomando conta do mundo atualmente.
Caso isso não ocorra, o autor afirma que “a hipótese mais provável é que cada uma das antigas demarcações, disciplinas e faculdades acabarão por se tornar obsoletas e barreiras para o aprendizado e o conhecimento”[27], ou seja, a educação deve caminhar junto as mudanças e adequar-se a elas, buscando sempre seu aprimoramento na tentativa de preparar os indivíduos para o mercado de trabalho, o qual na atualidade é bastante competitivo e requer um grau de conhecimento adequado à tarefa realizada.
Segundo o autor, estamos na era do conhecimento, e, portanto, as instituições educacionais devem priorizar as áreas de aplicação do conhecimento e não o contrário, já que o ensino deve estar voltado para o mercado de trabalho e aplicado na comunidade, o que “pode nos estimular ainda mais a reestruturar o ensino de acordo com as principais áreas de aplicação, e não segundo a lógica da disciplina”[28], ou seja, as universidades, bem como as escolas precisam organizar-se de forma mais objetiva, complexa e enfática, para que assim possa absorver melhor o conhecimento produzido e obter melhores resultados.
Para Drucker (2001), o conhecimento é apenas mais um recurso, isto é, “o que antes era conhecimento está se transformando em informação. O que era tecnologia está se tornando conhecimento”[29]. Sendo assim, podemos entender que o conhecimento está além das salas de aula, pois os meios de comunicação hoje trazem todo e qualquer tipo de informação a nível mundial através dos vários meios de comunicação (jornais, revistas, televisão, cinema, rádio, internet, etc.) e, portanto, é preciso que a educação se integre a esse meio, para poder continuar atuando como agente do saber e ajudando na construção da sociedade, bem como dos indivíduos que dela fazem parte, pois segundo o autor, quanto maior o nível de escolaridade atingido pelas massas maior será a qualificação, já que povo educado também se torna um cidadão ativo, uma vez que “necessitamos de padrões elevados para as massas não só para obtermos um grande número de trabalhadores e seguidores competentes para a força de trabalho qualificado, mas também para encontrar e estimular o maior número de mestres para o futuro”[30].
Analisando por esse prisma, podemos concordar com Peter Drucker que o conhecimento deve ser uma prioridade para as massas, pois tê-lo pode garantir a defesa de direitos que são desrespeitados a todo o momento, porém, não podemos afirmar que é a garantia de trabalho, mas sabemos que nos dá margem a melhores oportunidades, já que as coisas mudam o tempo todo e nós devemos acompanhar na medida do possível essas mudanças.
Acreditamos que o conhecimento passou a ser a fonte de sobrevivência dos indivíduos neste mundo, pelo menos com o mínimo de dignidade, pois também não é garantia de riquezas, mas uma possível arma contra a exclusão. Contudo, “passou a ser a verdadeira base da economia e da sociedade modernas, e o verdadeiro princípio social”[31], e, ponto chave para nos manter integrados a sociedade. No entanto, pode representar aquisição de poder, o qual pode acarretar em “problemas de moralidade (...) O grupo que está no poder assume a responsabilidade por sua moralidade, ou é corrupto e corrompe”[32], ou seja, o homem de conhecimento tanto pode cumprir sua tarefa de forma honesta e responsável, visando o bem estar coletivo, quanto pode dar prioridade a seus interesses no exercício de sua função, seja ela pública ou não, fazendo surgir a corrupção, a destruição dos sonhos e dos ideais.
No que se refere à não aprendizagem dos educandos, Drucker (2001) foi extremamente catedrático ao afirmar que a responsabilidade é somente da escola, e, principalmente do professor, o que leva ao fracasso da escola enquanto repassadora de conhecimento e formadora de cidadãos, pois para ele estes homens de conhecimento “precisam assumir a responsabilidade pelo desempenho da educação”[33], o que certamente podemos concordar, porém, a escola não deve assumir para si todos os papéis, já que a família e governo também tem sua parte a cumprir nesse processo de construção do ser humano.
No entanto, não podemos concordar que as instituições educacionais trabalhem apenas com as habilidades dos indivíduos e deixando de desenvolver suas fraquezas, pois entendemos que todo o conhecimento que pode ser assimilado tem o seu valor, principalmente no mundo pós-capitalista e individualista do qual fazemos parte, onde quanto mais habilidades desenvolvidas menor o risco de padecer no desemprego e miséria, ou seja, a escola ao nosso ver tem o dever de repassar o máximo de conhecimento às pessoas, para que elas pelo menos tenham uma chance de conseguir manter-se ativas em meio a essa revolução tecnológica que estamos vivendo.
Concordamos que a escola precisa estar integrada às tecnologias para dar maior aprimoramento e estímulo no processo ensino-aprendizagem, porém vemos de forma negativa a sua atuação enquanto detentora da verdade, no que se refere aos meios de comunicação atuais, pois se o educando entrar em contato com as tecnologias sem conhecimento de causa, poderá ter as informações que lhe foram repassadas como a verdade dos fatos, e não como uma representação desse fato, já que as informações podem ser manipuladas conforme a vontade de quem a produziu, muito bem observado na citação que se segue, "Há também outro impacto social gerado pela informação que é evidente e que está sendo amplamente discutido; o impacto exercido sobre o Estado Nacional, e, em especial sobre a Hipertrofia desse Estado ocorrida no séc. XX, o regime totalitário. Por ser uma criação da mídia moderna, dos jornais, do cinema e do rádio, ele somente pode existir se controlar totalmente as informações. Porém, num mundo em que todos podem receber informações em casa diretamente via satélite – e em receptores já tão diminutos que não podem ser localizados por nenhuma polícia secreta – não é mais possível ao governo controlar as informações. De fato, as informações hoje são transnacionais e, como o dinheiro, não tem pátria". (DRUCKER, 2001. P. 169)
O que podemos fazer enquanto escola é justamente atuar enquanto mediadora destas informações e no possível conhecimento posteriormente produzido a partir das mesmas. Acreditamos que esta é a real tarefa da escola no seu papel de formadora da sociedade, a qual foi analisada também por Kierkegaard, onde questiona “de que maneira é possível a sociedade?”[34], enfatizando que o que existe é o indivíduo e não a sociedade, pois para ele cada indivíduo é único, porém, a sua existência em sociedade faz com que ele “aceite valores e crenças, recompensas e punições sociais como reais”[35], pois precisa viver em sociedade e sujeita-se em ser apenas um ser social, e, portanto, deve viver conforme o mundo social exige e determina, além de viver subordinado a fé, a qual justifica a existência humana, tornando o indivíduo universal. No entanto, a fé segundo ele só pode ser alcançada por via de sofrimento e desespero, o que “torna o homem apto a morrer, mas também a viver”[36].
Sendo assim, podemos concluir que a humanidade sempre esteve presa às verdades construídas pelos homens de poder político, os quais detém o conhecimento, quanto as suas crenças religiosas, pois ambos sempre justificaram sua dominação pelo viés da moral e do pecado, limitando as ações individuais dos indivíduos, bem como em suas vidas. Portanto, tanto no passado, quanto no presente o ser humano não alcançou os objetivos que desejava, já que sempre precisaram adequar-se as transformações que as sociedades passaram.
Acreditamos que a verdade não existe em si, mas que é fruto da criação humana, assim como todas as outras invenções, as quais levaram o homem a um mundo individualizado e insensível, onde o que vemos e vivemos são apenas representações do real e não o real.
O resto é verdade.
[1] SCHINIMANN, Fernando. A Invenção da Sociedade e suas relações com veracidade histórica. Lages: Texto, 2006 (prelo). p. 02.
[2] Idem, p. 05.
[3] CHARTIER, Roger. A História Hoje: dúvidas, desafios, propostas. In: Estudos Históricos. Rio de Janeiro: 1994. p. 102.
[4]Idem, p. 102.
[5] DRUCKER, Peter. O Melhor de Peter Drucker - A sociedade. In: Revista Exame. São Paulo: Editora Abril, 2001. p. 75.
[6] Idem, p. 75.
[7] Idem, p. 75.
[8] Idem, p. 75.
[9] Idem, p. 76.
[10] Idem, p. 76.
[11] Idem, p. 76.
[12] Idem, p. 77.
[13] Idem, p. 77.
[14] Idem, p. 78.
[15] Idem, p. 79.
[16] Idem, p. 80.
[17] Idem, p. 82.
[18] Idem, p. 82.
[19] Idem, p. 82.
[20] Idem, p. 85.
[21] Idem, p. 88.
[22] Idem, p. 88.
[23] Idem, p. 89.
[24] Idem, p. 91.
[25] Idem, p. 87.
[26] Idem, p. 147.
[27] Idem, p. 147.
[28] Idem, p. 149.
[29] Idem, p. 146.
[30] Idem, p. 151.
[31] Idem, p. 155.
[32] Idem, p. 157.
[33] Idem, p. 157.
[34] Idem, p. 176.
[35] Idem, p. 178.
[36] Idem, p. 184
A verdade na História sempre foi assunto de grandes discussões historiográficas, sendo estas bastantes acentuadas com a formação da Escola dos Annalles, a qual deu um novo impulso na pesquisa em história, já que antes disso estava limitada apenas à narrativa histórica através de documentos produzidos pelo governo, também conhecidos como documentos oficiais, muito utilizados pela História Tradicional ou Positivista. Para os positivistas as fontes falavam por si, ou seja, eram detentoras da verdade incontestável. Contudo, foi com Jacques Revel da Terceira Geração dos Annalles que se efetuou a questão da verdade Histórica, já que para ele a verdade é inventada à medida que o homem inventa a sociedade, o que leva a reinvenção da História, a partir dos recortes dados pelo historiador em sua análise, também conhecido como a história em migalhas. Entretanto, a junção dos vários campos da história (política, econômica, cultural, social, etc) deu origem à chamada História Social, ou seja, como disse Jacques Revel “uma História que só existe enquanto construída pelo historiador (...) a partir das necessidades pela convivência cotidiana, por mais que se queira compreender a sociedade do ponto de vista do seu movimento e vida própria, é o homem quem inventa e reinventa”[1].
Portanto, podemos construir uma história que ao final se desconstrói, pois a história é desconstrução, dependendo do meio, da ética, enfim, das possíveis mudanças que a sociedade possa sofrer, como também do tipo de padrão adotado por determinada sociedade, principalmente no pós-guerra, onde a sociedade tornou-se múltipla assim como a história que foi analisada com várias especificidades, chamada também de interdisciplinar, onde o historiador também “era um pouco geógrafo, economista, demógrafo, antropólogo, lingüista, naturalista e até mesmo turismólogo”[2], ou seja, a aliança com outras áreas de conhecimento levou a história à extrema fragmentação. Contudo, não é o fator econômico que determina a história, mas as manifestações culturais, pois coloca o homem como seu objeto de estudo. Sendo assim, não houve uma ruptura, mas apenas uma manutenção de certos pensamentos, fazendo com que permanecesse a mentalidade de um grupo, que possivelmente determina os rumos da sociedade. Entretanto, Roger Chartier trabalha com a história da ciência voltado para a história das representações, onde as pesquisas são realizadas a longo prazo, serial tendo como objeto de estudo “as estruturas e os mecanismos que regulam, fora de qualquer controle subjetivo, as relações sociais, e sim as racionalidades e as estratégias pelas comunidades, as parentelas, as famílias, os indivíduos”[3], isto é, a história a longo prazo das representações coletivas, dando ênfase a forma como os indivíduos “produzem o mundo social”[4], onde estão inseridos.
Esta proposta é estudada também por Peter Drucker (2001), quando analisa as necessidades sociais que surgem no mundo atual, principalmente pós-Segunda Guerra Mundial, quando a “caridade, ajuda ao próximo, desamparados, vítimas”[5], cresceu de forma assustadora. Segundo este autor, “as massas de refugiados em todo o mundo, vítimas de guerras e levantes sociais, de perseguições raciais, étnicas, políticas e religiosas, da incompetência e crueldade dos governos”[6], aumentou violentamente e por isso novas levas de pessoas que atuam em “serviços sociais (...) procuram mudar as pessoas e exercer um efeito significativo na comunidade”[7].
O autor afirma que esses serviços crescerão muito mais, pois, “o rápido aumento no número de idosos em todos os países desenvolvidos”[8], gera essa necessidade, graças aos serviços prestados pela assistência médica e saúde.
Vão surgindo ao longo dos anos o que o autor chama de “terceiro setor” que são “órgãos independentes sem fins lucrativos”[9], que tiveram ótimos resultados principalmente através de órgãos ligados a movimentos religiosos.
Essas organizações comunitárias autônomas que surgem no setor social formam “um novo centro de cidadania representativa”[10]. Como o Megaestado praticamente destruiu o que chamamos ou conhecemos como cidadania, precisa agora ser restaurado, e, isto se dá através do terceiro setor auxiliado pelo “setor privado das empresas, e o setor público, do governo”[11]. Esta forma de organização do Estado precisa de um setor social autônomo, para conduzir a comunidade, pois, “sem cidadania não pode existir o compromisso que cria o cidadão e que, consolida o Estado”[12]. Este “Estado pós-capitalista precisa recriar a cidadania, restaurar a comunidade, criando um vínculo voluntário, um elo de afeição, união, respeito mútuo”[13], que fora deixado de lado pelo individualismo, consumismo e imediatismo. Estas ligações se fazem necessárias principalmente para os jovens e isto só é possível através de uma instituição criada pela burguesia revolucionária do século XVIII, a família, principalmente nas grandes cidades.
Como no mundo atual a mobilidade geográfica e ocupacional é muito grande, pela busca das melhores regiões e emprego, precisamos ter sempre uma base para o retorno, colocando a família em primeiro lugar. Essa mobilidade faz com que as pessoas ao mudarem de lugar passem a fazer parte de uma nova classe e cultura, diferente da que nasceram. Para tanto, todos precisam estar organizados e esta organização baseia-se principalmente na responsabilidade.
Segundo Peter Drucker, “o setor social é uma das áreas em que essa necessidade pode ser satisfeita”[14], onde os indivíduos com responsabilidade podem participar e contribuir.
Hoje, as empresas que se tornaram o maior empregador dos Estados Unidos da América, são aquelas sem fins lucrativos, que contam com esses voluntários que agora “não são mais ‘ajudantes’; eles tornaram-se ‘parceiros”[15], realizando um trabalho social e comunitário, que faz com que as pessoas sintam-se úteis para os outros.
Isto demonstra que a comunidade que fora considerado como um fado, “no estado e na sociedade pós-capitalista deve se tornar um compromisso”[16], na forma de ajuda, assumindo o papel que o Estado deveria fazer, tal como promover educação, saúde, segurança, bem-estar-social..
Sobre a expansão econômica, o autor considera que nos últimos vinte anos, foi muito rápida, mesmo não havendo mudanças estruturais, demonstrando que “a geografia econômica do mundo muito pouco foi modificada”[17] e que “o Brasil, pelo menos na região Sul, pode estar dando os primeiros passos nessa direção, mas ainda não chegou lá”[18], principalmente quando se fala em potências industriais, considerando que praticamente todas as grandes invenções já “existiam em 1913”[19].
Acreditamos que o século XX produziu noventa por cento de tudo que o homem considera de avanço tecnológico em todos os tempos da história. É claro, que nada vem do nada, apenas aperfeiçoam-se pesquisas que outrora foram elaboradas. Não podemos concordar com Peter Drucker, quando ele descreve que a grande maioria das invenções tecnológicas que o homem conheceu no século XX tenham sido produzidas somente no século XIX. Isto seria acreditar piamente no que os homens do século XIX falaram e escreveram, de que o homem do século XX não teria mais nada para inventar, pois, já haviam criado tudo o que era possível.
Sabemos que “a explosão populacional’ não causou, até o momento fomes e pestes em larga escala”[20], como previa Thomas Malthus e que a produção de alimentos seria insuficiente para todos, gerando catástrofes técnicoeconômicas.
Sentimo-nos, portanto, muito à vontade para discordar do autor de que, "As grandes realizações econômicas da atualidade, as economias opulentas de consumo em massa dos países desenvolvidos, sua produtividade e suas habilidades tecnológicas, estão solidamente construídas sobre alicerces vitorianos e da época de Eduardo VII e com matéria-prima daquela época", (DRUCKER, 2001. p. 86), pois, nossa análise é de que o homem do século XX produziu toda a tecnologia necessária para sua existência, bem como para sua autodestruição.
As mudanças econômicas mundiais, segundo Peter Drucker (2001) ocorreram de três formas fundamentais, primeiramente baseadas no desatrelamento da economia industrial dos produtos primários, onde “a produção agrícola no mundo aumentou”[21], de qualquer forma, a queda dos preços de matérias-primas não significou “quase nenhum impacto na economia industrial do mundo”[22], mas mesmo assim, “os EUA vêm considerando a abertura dos mercados para seus produtos agrícolas e suas matérias-primas como essencial para sua política comercial internacional”[23]. Mais uma vez a matéria-prima é colocada como mais importante que o produto industrializado.
Também percebemos que neste tipo de economia industrial, a produção desatrelou-se do emprego, ou seja, a força de trabalho não é mais tão necessária quanto fora em anos anteriores, pois, “os custos de mão-de-obra representam cada vez menos uma vantagem no comércio internacional”[24], até porque, “a escolha entre uma política industrial favorável à produção e outra ao emprego será uma questão política singularmente controversa durante o restante deste século, onde infelizmente, em nosso entender, sobram os pobres.
Outro ponto importante é que “os fluxos de capital e não o comércio de bens e serviços tornaram-se o instrumento e a força motriz da economia mundial”[25], não estando mais ligadas uma a outra, afastando-se cada vez mais. O capital volátil passa a ter cada vez mais valor que os serviços prestados pelos mais diversos profissionais nas mais diferentes partes do mundo.
Drucker (2001) além de analisar a economia e a política mundial, também faz uma análise profunda sobre o conhecimento destinado à educação, onde diz que as várias áreas de conhecimento estão se transformando muito rápido e de forma contínua, buscando sempre se adequar ao tempo presente e de forma interdisciplinar, o que acarreta muita “responsabilidade para os homens de conhecimento”[26], ou seja, para ele estes homens de conhecimento precisam estar sempre prontos às possíveis mudanças que o mundo vem sofrendo, tanto tecnológico quanto intelectual, e que não devem estar separados, já que a tecnologia invadiu o mundo do intelecto, buscando aliar-se ao campo científico, tecnológico e educacional, visando aplicá-los de forma conjunta no meio acadêmico, para que assim chegue até as salas de aula no intuito de inserir a escola nesta revolução científica e tecnológica que vem tomando conta do mundo atualmente.
Caso isso não ocorra, o autor afirma que “a hipótese mais provável é que cada uma das antigas demarcações, disciplinas e faculdades acabarão por se tornar obsoletas e barreiras para o aprendizado e o conhecimento”[27], ou seja, a educação deve caminhar junto as mudanças e adequar-se a elas, buscando sempre seu aprimoramento na tentativa de preparar os indivíduos para o mercado de trabalho, o qual na atualidade é bastante competitivo e requer um grau de conhecimento adequado à tarefa realizada.
Segundo o autor, estamos na era do conhecimento, e, portanto, as instituições educacionais devem priorizar as áreas de aplicação do conhecimento e não o contrário, já que o ensino deve estar voltado para o mercado de trabalho e aplicado na comunidade, o que “pode nos estimular ainda mais a reestruturar o ensino de acordo com as principais áreas de aplicação, e não segundo a lógica da disciplina”[28], ou seja, as universidades, bem como as escolas precisam organizar-se de forma mais objetiva, complexa e enfática, para que assim possa absorver melhor o conhecimento produzido e obter melhores resultados.
Para Drucker (2001), o conhecimento é apenas mais um recurso, isto é, “o que antes era conhecimento está se transformando em informação. O que era tecnologia está se tornando conhecimento”[29]. Sendo assim, podemos entender que o conhecimento está além das salas de aula, pois os meios de comunicação hoje trazem todo e qualquer tipo de informação a nível mundial através dos vários meios de comunicação (jornais, revistas, televisão, cinema, rádio, internet, etc.) e, portanto, é preciso que a educação se integre a esse meio, para poder continuar atuando como agente do saber e ajudando na construção da sociedade, bem como dos indivíduos que dela fazem parte, pois segundo o autor, quanto maior o nível de escolaridade atingido pelas massas maior será a qualificação, já que povo educado também se torna um cidadão ativo, uma vez que “necessitamos de padrões elevados para as massas não só para obtermos um grande número de trabalhadores e seguidores competentes para a força de trabalho qualificado, mas também para encontrar e estimular o maior número de mestres para o futuro”[30].
Analisando por esse prisma, podemos concordar com Peter Drucker que o conhecimento deve ser uma prioridade para as massas, pois tê-lo pode garantir a defesa de direitos que são desrespeitados a todo o momento, porém, não podemos afirmar que é a garantia de trabalho, mas sabemos que nos dá margem a melhores oportunidades, já que as coisas mudam o tempo todo e nós devemos acompanhar na medida do possível essas mudanças.
Acreditamos que o conhecimento passou a ser a fonte de sobrevivência dos indivíduos neste mundo, pelo menos com o mínimo de dignidade, pois também não é garantia de riquezas, mas uma possível arma contra a exclusão. Contudo, “passou a ser a verdadeira base da economia e da sociedade modernas, e o verdadeiro princípio social”[31], e, ponto chave para nos manter integrados a sociedade. No entanto, pode representar aquisição de poder, o qual pode acarretar em “problemas de moralidade (...) O grupo que está no poder assume a responsabilidade por sua moralidade, ou é corrupto e corrompe”[32], ou seja, o homem de conhecimento tanto pode cumprir sua tarefa de forma honesta e responsável, visando o bem estar coletivo, quanto pode dar prioridade a seus interesses no exercício de sua função, seja ela pública ou não, fazendo surgir a corrupção, a destruição dos sonhos e dos ideais.
No que se refere à não aprendizagem dos educandos, Drucker (2001) foi extremamente catedrático ao afirmar que a responsabilidade é somente da escola, e, principalmente do professor, o que leva ao fracasso da escola enquanto repassadora de conhecimento e formadora de cidadãos, pois para ele estes homens de conhecimento “precisam assumir a responsabilidade pelo desempenho da educação”[33], o que certamente podemos concordar, porém, a escola não deve assumir para si todos os papéis, já que a família e governo também tem sua parte a cumprir nesse processo de construção do ser humano.
No entanto, não podemos concordar que as instituições educacionais trabalhem apenas com as habilidades dos indivíduos e deixando de desenvolver suas fraquezas, pois entendemos que todo o conhecimento que pode ser assimilado tem o seu valor, principalmente no mundo pós-capitalista e individualista do qual fazemos parte, onde quanto mais habilidades desenvolvidas menor o risco de padecer no desemprego e miséria, ou seja, a escola ao nosso ver tem o dever de repassar o máximo de conhecimento às pessoas, para que elas pelo menos tenham uma chance de conseguir manter-se ativas em meio a essa revolução tecnológica que estamos vivendo.
Concordamos que a escola precisa estar integrada às tecnologias para dar maior aprimoramento e estímulo no processo ensino-aprendizagem, porém vemos de forma negativa a sua atuação enquanto detentora da verdade, no que se refere aos meios de comunicação atuais, pois se o educando entrar em contato com as tecnologias sem conhecimento de causa, poderá ter as informações que lhe foram repassadas como a verdade dos fatos, e não como uma representação desse fato, já que as informações podem ser manipuladas conforme a vontade de quem a produziu, muito bem observado na citação que se segue, "Há também outro impacto social gerado pela informação que é evidente e que está sendo amplamente discutido; o impacto exercido sobre o Estado Nacional, e, em especial sobre a Hipertrofia desse Estado ocorrida no séc. XX, o regime totalitário. Por ser uma criação da mídia moderna, dos jornais, do cinema e do rádio, ele somente pode existir se controlar totalmente as informações. Porém, num mundo em que todos podem receber informações em casa diretamente via satélite – e em receptores já tão diminutos que não podem ser localizados por nenhuma polícia secreta – não é mais possível ao governo controlar as informações. De fato, as informações hoje são transnacionais e, como o dinheiro, não tem pátria". (DRUCKER, 2001. P. 169)
O que podemos fazer enquanto escola é justamente atuar enquanto mediadora destas informações e no possível conhecimento posteriormente produzido a partir das mesmas. Acreditamos que esta é a real tarefa da escola no seu papel de formadora da sociedade, a qual foi analisada também por Kierkegaard, onde questiona “de que maneira é possível a sociedade?”[34], enfatizando que o que existe é o indivíduo e não a sociedade, pois para ele cada indivíduo é único, porém, a sua existência em sociedade faz com que ele “aceite valores e crenças, recompensas e punições sociais como reais”[35], pois precisa viver em sociedade e sujeita-se em ser apenas um ser social, e, portanto, deve viver conforme o mundo social exige e determina, além de viver subordinado a fé, a qual justifica a existência humana, tornando o indivíduo universal. No entanto, a fé segundo ele só pode ser alcançada por via de sofrimento e desespero, o que “torna o homem apto a morrer, mas também a viver”[36].
Sendo assim, podemos concluir que a humanidade sempre esteve presa às verdades construídas pelos homens de poder político, os quais detém o conhecimento, quanto as suas crenças religiosas, pois ambos sempre justificaram sua dominação pelo viés da moral e do pecado, limitando as ações individuais dos indivíduos, bem como em suas vidas. Portanto, tanto no passado, quanto no presente o ser humano não alcançou os objetivos que desejava, já que sempre precisaram adequar-se as transformações que as sociedades passaram.
Acreditamos que a verdade não existe em si, mas que é fruto da criação humana, assim como todas as outras invenções, as quais levaram o homem a um mundo individualizado e insensível, onde o que vemos e vivemos são apenas representações do real e não o real.
O resto é verdade.
[1] SCHINIMANN, Fernando. A Invenção da Sociedade e suas relações com veracidade histórica. Lages: Texto, 2006 (prelo). p. 02.
[2] Idem, p. 05.
[3] CHARTIER, Roger. A História Hoje: dúvidas, desafios, propostas. In: Estudos Históricos. Rio de Janeiro: 1994. p. 102.
[4]Idem, p. 102.
[5] DRUCKER, Peter. O Melhor de Peter Drucker - A sociedade. In: Revista Exame. São Paulo: Editora Abril, 2001. p. 75.
[6] Idem, p. 75.
[7] Idem, p. 75.
[8] Idem, p. 75.
[9] Idem, p. 76.
[10] Idem, p. 76.
[11] Idem, p. 76.
[12] Idem, p. 77.
[13] Idem, p. 77.
[14] Idem, p. 78.
[15] Idem, p. 79.
[16] Idem, p. 80.
[17] Idem, p. 82.
[18] Idem, p. 82.
[19] Idem, p. 82.
[20] Idem, p. 85.
[21] Idem, p. 88.
[22] Idem, p. 88.
[23] Idem, p. 89.
[24] Idem, p. 91.
[25] Idem, p. 87.
[26] Idem, p. 147.
[27] Idem, p. 147.
[28] Idem, p. 149.
[29] Idem, p. 146.
[30] Idem, p. 151.
[31] Idem, p. 155.
[32] Idem, p. 157.
[33] Idem, p. 157.
[34] Idem, p. 176.
[35] Idem, p. 178.
[36] Idem, p. 184
Assinar:
Postagens (Atom)